Desemprego em queda e avanço da tecnologia desafiam mercado
Não se trata apenas de ocupar vagas, mas de garantir que os talentos certos estejam nos lugares certos. A competitividade cresce para quem não se atualiza
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O mercado de trabalho no Brasil encerrou 2025 no seu melhor momento, apesar da gradual desaceleração da atividade econômica. Com a taxa de desemprego no país caindo para 5,2% no trimestre móvel encerrado em novembro, o ano deve ter fechado com uma taxa média abaixo de 6%, o que é o menor patamar da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do IBGE. Com isso, a população ativa do país passa de 100 milhões, enquanto o contingente em busca de trabalho caiu para 5,6 milhões. Mas se de um lado a taxa de desocupação é a menor da história em mais de uma década, a informalidade persiste, chegando a 37,8%, o que significa 38,8 milhões vivendo à margem da economia formal.
No embalo do desemprego baixo, o rendimento real habitual fechou o ano acima de R$ 3.500, com crescimento de mais de 4,5% sobre 2024. Com isso, em novembro a massa de rendimentos do trabalho no país foi estimada em R$ 363,7 bilhões. O setor de serviços e a recuperação da indústria foram os motores desse avanço do emprego no ano passado, mas o país ainda enfrenta gargalos estruturais.
A digitalização acelerada redefine as contratações, exigindo que profissionais e empresas se adaptem a uma nova realidade tecnológica. Segundo a Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais do Brasil (Brasscom), a área de tecnologia deve abrir 46 mil novas vagas apenas este ano, reforçando a urgência da qualificação.
Para Ana Paula Prado, CEO da Redarbor Brasil (Infojobs), o mercado agora exige mais do que técnica. "As empresas buscam retenção e crescimento real”, afirma. O uso da Inteligência Artificial (IA) deixa de ser tendência para virar ferramenta básica de gestão. Segundo a Redarbor Brasil, subsidiária do grupo espanhol de tecnologia em RH, setores como logística e saúde seguem em plena expansão.
A logística, impulsionada pelo e-commerce, gerou mais de 120 mil postos formais. Já a saúde, reflexo do envelhecimento populacional, somou 80 mil admissões. No entanto, o comportamento do trabalhador mudou: a busca por flexibilidade e bem-estar agora dita as regras das negociações.
“O profissional chega mais exigente e busca cultura organizacional clara”, explica Prado. Isso pressiona o RH a repensar benefícios e modelos de trabalho. A produtividade, contudo, continua sendo o calcanhar de Aquiles nacional. Dados do IPEA mostram crescimento de apenas 0,7% ao ano nas últimas décadas, sinalizando que a tecnologia sozinha não resolve a estagnação sem investimento em educação.
O ano de 2026 será, portanto, o marco da conexão entre humano e IA. Não se trata apenas de ocupar vagas, mas de garantir que os talentos certos estejam nos lugares certos. A competitividade cresce para quem não se atualiza, enquanto surgem oportunidades estratégicas para quem assume o protagonismo da carreira. O equilíbrio entre eficiência e humanização será o grande diferencial competitivo. Empresas que negligenciarem a saúde mental perderão talentos para a concorrência.
O mercado brasileiro, embora resiliente, pede reformas na base educacional para sustentar os ganhos recentes. A interiorização dos serviços médicos e a descentralização do varejo criam novos polos de emprego fora das grandes capitais. Essa mudança geográfica exige infraestrutura e conectividade em regiões antes esquecidas. O papel do gestor em 2026 é ser um facilitador de aprendizado. O “lifelong learning”, ou aprendizado contínuo, tornou-se obrigação. Sem ele, o risco de obsolescência é imediato.
As tendências de busca mostram que o alinhamento de valores é hoje tão importante quanto o salário. Em resumo, 2026 combina expansão moderada com transformações profundas. O sucesso dependerá da capacidade de adaptação a um mundo onde os bytes e o afeto precisam coexistir. O trabalhador brasileiro entra neste novo ciclo com o desafio de se reinventar sob a égide da inovação constante. É um caminho de volta aos fundamentos humanos mediados pela mais alta tecnologia. O futuro jamais foi tão dinâmico e exigente. A hora de se preparar para o que virá a seguir é agora, unindo técnica, ética e visão estratégica. A tecnologia não eliminará o trabalho, mas exigirá uma transformação na natureza do mesmo.
Estudantes
US$ 244,4 mi é o valor que deve alcançar o mercado brasileiro de moradia estudantil até 2030, com alta anual de 3,5% a partir deste ano, segundo levantamento da Grand View Research
Desacelerando
Apesar do desemprego e de o 13º salário ter despejado R$ 369,4 bilhões na economia, as vendas do comércio brasileiro recuaram 0,9% em dezembro, de acordo com o Índice do Varejo Stone (IVS). Na comparação anual, o volume de vendas apresentou retração de 1,5%. Com esse resultado, o varejo encerrou 2025 com queda acumulada de 0,5%, em relação a 2024. O ano foi marcado por uma desaceleração progressiva do varejo.
Engenheiros
O CEO da NVIDIA, Jensen Huang, foi eleito para receber a Medalha de Honra do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE) e receberá um prêmio de US$ 2 milhões (cerca de R$ 10,7 milhões). O reconhecimento celebra a liderança de Huang e seu trabalho em computação acelerada. Sob seu comando, a NVIDIA deixou de ser uma fabricante de componentes para games para se tornar a força motriz da revolução da IA.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
