Katiuscia Silva
Katiuscia Silva
Mestra em Sexologia pela Universidade ISEP - Madrid. Especialista em Comportamento. Analista Corporal. Mentora. Palestrante. Treinamentos para Empresas
RELACIONAMENTO

Relacionamentos não fracassam por falta de amor

Medo de abandono, necessidade excessiva de controle, dificuldade de confiar ou tendência ao afastamento não surgem do nada

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Levamos para o casamento dores dos relacionamentos anteriores. Outro ambiente, outra pessoa, mas os conflitos são os mesmos. As brigas se repetem e você até se questiona: “Tenho dedo podre para o amor”. Nessas horas, é comum acreditar que o problema está na escolha errada, na falta de maturidade do outro ou em incompatibilidades que não se resolvem. Raramente se considera a possibilidade de que o relacionamento atual esteja apenas repetindo os comportamentos que não foram curados. 

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Estudos em psicologia do vínculo e em abordagens sistêmicas mostram que padrões emocionais só perdem força quando são trazidos à consciência.

Quem vive um relacionamento marcado por conflitos repetitivos, distanciamento emocional, desconfiança constante ou sensação de solidão a dois costuma acreditar que o problema está no comportamento atual do parceiro. No entanto, décadas de pesquisa em psicologia do vínculo mostram que o que está em jogo raramente é apenas o agora. 

O psiquiatra e psicanalista britânico John Bowlby, ao desenvolver a Teoria do Apego, demonstrou que os vínculos afetivos da infância criam modelos internos inconscientes que guiam a forma como amamos na vida adulta. Em outras palavras: ninguém entra em um casamento emocionalmente neutro.

Bowlby mostrou que adultos se relacionam com a pessoa e com a memória emocional dos primeiros vínculos. Medo de abandono, necessidade excessiva de controle, dificuldade de confiar ou tendência ao afastamento não surgem do nada, são estratégias aprendidas para lidar com insegurança emocional. Por isso, uma das frases mais citadas e coerentes com o espírito do seu trabalho resume bem essa dinâmica: “O apego é um vínculo emocional duradouro que conecta uma pessoa a outra ao longo do tempo.”

Esse vínculo, quando inseguro, continua atuando mesmo quando o adulto deseja amar de forma diferente.

A ciência reforça que a solução começa quando aquilo que opera no automático é trazido para a consciência. Estudos em psicologia sistêmica familiar, desenvolvidos pelo psiquiatra americano Murray Bowen, demonstram que a família funciona como um sistema emocional interdependente. Quando tensões não são resolvidas em uma geração, elas tendem a reaparecer na seguinte, especialmente nos relacionamentos íntimos. Bowen chamou isso de repetição de padrões emocionais multigeracionais. O casal, portanto, raramente está lidando apenas com seus próprios conflitos; ele herda formas de amar, de brigar e de se proteger emocionalmente.

Essa visão dialoga diretamente com a constelação sistêmica familiar, abordagem na qual atua a psicóloga junguiana Eliane Vilhena Moura, com 18 anos de experiência clínica e 9 anos de especialização. Eliane afirma que compreender o passado de um relacionamento vai muito além de lembrar histórias ou reviver dores. Trata-se de olhar para padrões familiares, lealdades invisíveis, vínculos interrompidos e amores não reconhecidos, elementos que muitas vezes explicam conflitos que parecem não ter causa no presente.

Segundo Eliane, quando esses fatores são vistos, reconhecidos e incluídos com respeito, algo fundamental acontece: eles perdem a necessidade de se repetir. O relacionamento deixa de carregar pesos que não pertencem ao agora. O casal passa a fazer escolhas mais livres, maduras e conscientes. Não porque o passado foi apagado, mas porque foi honrado. 

Essa ideia encontra eco direto no pensamento de Bert Hellinger, criador da constelação sistêmica familiar. Uma de suas frases mais coerentes com esse processo sintetiza bem o caminho da solução: “Aquilo que é reconhecido pode se transformar; aquilo que é negado se repete.” Para Hellinger, o amor adoece quando tenta compensar o que pertence ao passado, e se liberta quando cada história ocupa o seu lugar.

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Se você vive um casamento infeliz, este pode ser um convite à consciência, um convite para entender que há solução. Não se trata de apontar culpados, mas de descobrir os padrões e de entender a sua origem. Escutar esses sinais exige coragem, maturidade e disposição para ampliar o olhar e enxergar o caminho.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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