Jaeci Carvalho
Jaeci Carvalho

O futebol brasileiro está prostituído

Clubes tradicionais já morreram e alguns agonizam pelo país. Dois exemplos são Ponte Preta e Guarani, que nunca mais conseguiram se reerguer

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Infelizmente é uma realidade que todos já enxergam, mas poucos querem admitir. Clubes quebrados, devendo R$ 3 bilhões, uma dívida impagável, contratando jogadores ganhando R$ 3 milhões mensais, como se estivéssemos na Europa, na China ou no mundo árabe, onde o dinheiro jorra e as economias são pujantes. Dirigentes misturando seu cartão de crédito pessoal com o dos clubes, pagando despesas de familiares e amigos. Jogadores “fingindo que jogam e clubes fingindo que pagam”. Futebol de quinta categoria, com a bola rolando menos de 45 minutos. Arbitragem à beira do caos, junto com o famigerado VAR, que no país do faz de contas erra mais que o olho humano. Torcedores protestando em portas de CTs, ameaçando jogadores e dirigentes. Está tudo errado! Prostituímos o nosso futebol e caminhamos, a passos largos, para o fim.

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Há muita gente que diz que isso jamais acontecerá. Ledo engano! Clubes tradicionais já morreram e alguns ainda agonizam pelo país. Dois grandes exemplos são Ponte Preta e Guarani, que nunca mais conseguiram se reerguer. O futebol ainda dá muito dinheiro e movimenta fortunas, porém, mal administrado, provoca um caos. Temos hoje dois clubes superavitários, Flamengo e Palmeiras, com torcidas gigantescas. O Corinthians, com a segunda maior torcida do Brasil, mas com ex-dirigentes envolvidos em escândalos, Cruzeiro, que tem donos apaixonados e é SAF, competindo com os superavitários, mas faturando 1/5, e o mesmo podemos dizer do Atlético, que também tem uma torcida apaixonada e que virou SAF, com donos também sérios e apaixonados. No mais, são clubes devendo até as cuecas, contratando jogadores a peso de ouro e com a dívidas só aumentando.


O governo federal já deu duas anistias, aprovando refiz. Chega, basta! Se não isentam o povo brasileiro de impostos exorbitantes, por que ajudam os clubes de futebol? As pessoas têm memória curta, mas eu me lembro muito bem quando um ex-presidente do Flamengo, Edmundo Santos Silva, pego com a boca na botija, suspeito de usurpar mais de R$ 100 milhões dos cofres do clube, disse: “estão me prendendo como se eu fosse um bandido comum”. Realmente, alguém acusado de roubar mais de R$ 100 milhões não pode ser um bandido comum. É um bandidaço! Os escândalos se sucedem, mas ninguém vai para a cadeia. Como muito bem disse Merval Pereira, jornalista e acadêmico da Academia Brasileira de Letras, “as pessoas são acusadas hoje em dia não mostram provas da inocência, mas seus advogados conseguem anular os processos e tudo termina em uma grande pizza! É o que acontece no país da corrupção e também no futebol, que só é um mundo à parte na questão salarial. No mais, está inserido nessa sociedade podre e corrupta.


Há muito tempo já perdi as esperanças. O Brasil nunca mais ganhará uma Copa do Mundo, pelo menos nos próximos 50 anos, eu garanto que isso não acontecerá. Vivemos um mundo de ilusão, onde a Confederação Brasileira de Futebol vive de escândalos e tem um presidente, posto na cadeira, segundo denúncias do UOL, pelo ministro Gilmar Mendes, esse mesmo que vive dando habeas corpus a criminosos e que disse que “até a máfia tem ética”. E pensar que o STF, que deveria ser o guardião da constituição, tem pessoas desse tipo, julgando, absolvendo e condenando inocentes.

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Enfim, o futebol brasileiro se prostituiu faz tempo e não vejo solução a médio prazo. Chega de tantas mentiras, de dirigentes oportunistas, de ex-jogadores em atividade, e de internautas das redes sociais tão mal-amados e covardes. Por isso eu adoro a frase do poeta e escritor italiano Umberto Eco: “as redes sociais deram voz a uma legião de imbecis, que antes discutiam os assuntos, tomando uma cerveja num bar, e hoje querem ter o mesmo espaço de um Prêmio Nobel”. Ele tem razão. São imbecis, que nos atacam e nos agridem de forma vil, mas quando os interpelamos na Justiça, como já fiz com alguns, põem o “rabinho entre as pernas” e viram cordeirinhos. São os valentões atrás dos teclados, gente odiosa! É futebol brasileiro, você já foi o nosso maior orgulho, hoje é uma decepção em todos os aspectos.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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