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Um clássico de tirar o fôlego, como nos velhos e bons tempos do Mineirão, só que agora na Arena MRV, com a massa alvinegra mostrando a velha força, cantando e empurrando o time do começo ao fim. Parecia a velha geral, que abrigava os torcedores de verdade. Se alguém disse no passado que o estádio do Galo tinha defeitos, eles não existem mais. Tudo foi corrigido e os torcedores, agora, conseguem interação com os jogadores no campo. Que festa fez a torcida alvinegra. O Atlético foi superior em boa parte da partida. Claro que a expulsão do Villalba pesou e, a partir daquele momento, e das péssimas substituições feitas por Artur Jorge, o Cruzeiro se entregou e deu tudo o que o Galo precisava para virar o jogo. E foi o que aconteceu. Falar da partida já não é tão importante, quero abordar aqui outros aspectos.
Tivemos um jogo limpo, sem brigas, com uma ou outra pequena desavença. Os jogadores procuraram o gol o tempo todo e Otávio, depois de Fred, foi o melhor homem em campo, com defesas monstruosas. A tensão começou quando Tressoldi e Kaio Jorge não se cumprimentaram. O zagueiro atleticano ainda está magoado pela entrada de KJ no primeiro clássico. E quando o menino Vitão, de muita qualidade, cometeu um pênalti infantil, KJ bateu e fez, dizendo para a torcida: “papai está aqui”. Mas quem fala o que quer, ouve o que não quer. E, no final, com o triunfo alvinegro, Alexsander, jogador do Galo, provocou KJ no vestiário: “Papai tá aqui otário, bundão”. Mas não passou disso. Ficamos com a memória das belas jogadas, dos dribles, dos passes e dos belos gols. O árbitro, Raphael Claus, pode ter cometido um ou outro erro, mas no geral foi muito bem, e não foi decisivo para o resultado. O Galo ganhou na bola, na raça, técnica e na força da fanática torcida.
Engana-se quem pensa que o Cruzeiro é terra arrasada porque foi eliminado de duas competições – Copa do Brasil e Copa Libertadores – em duas semanas. Nada disso. O time ainda é dos melhores do país e tem em seus donos, Pedro Lourenço e Pedro Junio, dois grandes apaixonados, que não medem esforços para por um time competitivo em campo. Gastam do próprio bolso e procuram contratar aquilo que o treinador pede. Foi um erro pagar 30 milhões de euros em Gerson, disso não tenho dúvidas, pois ele não vai passar disso que já vimos. Em 34 jogos, nenhuma assistência e zero gol. Mas ele foi um pedido do fracassado Tite. O papel do dirigente é atender ao treinador, dentro da sua realidade. Eu vejo um projeto no Cruzeiro, de médio a longo prazo, vencedor. Em 2 anos da gestão Pedro Lourenço, o Cruzeiro chegou a uma final de Sul-Americana, e não foi campeão brasileiro e da Copa do Brasil, ano passado, porque a arbitragem não deixou. Este ano, depois de um começo terrível nas mãos do péssimo Tite, deu a volta por cima com Artur Jorge, briga pelas primeiras posições no Brasileirão, e deu a falta de sorte de encarar o Flamengo, na Libertadores. Já no clássico com o Atlético, faz parte, pois ano passado o eliminado foi o alvinegro e, este ano, o time azul.
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O torcedor está ansioso para soltar o grito de campeão, e isso vai acontecer, mais cedo ou mais tarde. Como diz Alexandre Kalil, num ano bate na trave, no outro, no travessão, e no outro a bola entra. É futebol, não é ciência exata. O Cruzeiro tem estrutura fantástica, paga salários em dia e tem um time de qualidade. Agora, há jogadores que não decidem nada, como é o caso de Matheus Pereira, que reputo como grande jogador, o melhor 10, depois de Arrascaeta, mas que não consegue aparecer nos jogos decisivos e levar seu time adiante. Gerson não passa disso e KJ não é o mesmo da temporada passada. Diante disso, é preciso que a diretoria cobre com mais veemência, pois com os salários absurdos e irreais que eles ganham, é preciso jogar mais e produzir muito mais. E pra fechar, um recado a Artur Jorge: não tem que poupar jogador. Os caras ganham milhões para atuarem duas vezes por semana. Se eles não aguentam, cancelem o contrato e mandem “bater uma laje” pra ver o que é bom. Come e dorme a China Azul não vai aceitar!
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
