Jaeci Carvalho
Jaeci Carvalho
Jaeci na Copa

O futebol não merece a importância que dão a ele

A Seleção Brasileira é um time horrível, que privilegiou a panela dos 'ex-jogadores em atividade', abrindo mão de atletas que estão voando no Brasil

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MIAMI (EUA) – A esposa de Raphinha, que foi criticado por um jornalista, disse: “Fique aí com seus centavos, pois meu marido é milionário”. Logo depois, apagou o post. Na minha visão, é melhor ganhar centavos com honestidade, caráter e berço do que casar por interesse e pelo dinheiro. Não sei se é o caso dela, mas os exemplos de mulheres de jogadores estão aí para quem quiser ver.

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A TV Globo contratou “influencers” para fazer reportagens com as mulheres desses atletas, como se fossem importantes na Copa do Mundo. Não vi televisão nenhuma, de nenhum país, fazer isso. Você já parou para pensar que no Brasil, ganhando ou perdendo a Copa, nada vai mudar?


O esgoto continuará correndo a céu aberto nas favelas e periferias, a violência continuará alta, os políticos corruptos continuarão a roubar, sem punição. O pobre vai morrer na fila do SUS à espera de um transplante ou para a cura de um câncer.


Enquanto isso, os repórteres que ainda se arriscam em acompanhar a Seleção Brasileira, in loco, vão continuar sendo expulsos dos treinos, com 15 minutos, onde só veem o “bobinho”, e se sujeitar a entrevistar quem a péssima assessoria de imprensa da CBF determina. Assessoria essa comandada por um ex-repórter da Globo, que não tem história, nem histórico para o cargo.


Ele negou a Elia Júnior, da Band, baita jornalista, o direito de perguntar na coletiva, pois o repórter põe o dedo na ferida, não passa pano e não baba-ovo. E não adianta a CBF negar, pois fizeram o mesmo comigo na época do fracassado Tite. Eles só gostam de perguntas que elevem a autoestima de técnico e jogadores.


Os questionadores do bom jornalismo são escanteados, mesmo que todos enxerguemos um time mal convocado, mal escalado e mal dirigido, com todo o respeito ao mister, campeão nos gigantes e bilionários clubes europeus, e que fracassou nos modestos Napoli e Everton. Sem bons limões ninguém faz boa limonada, e nossa safra é a pior da história.


Eu sempre torci pela Seleção Brasileira, mas sou crítico, sim. Time horrível, convocação que privilegiou a panela dos “ex-jogadores em atividade”, abrindo mão de atletas que estão voando no Brasil. E vou falar uma verdade: com esses “mimizentos” que compõem esse grupo, não dá vontade mesmo de torcer.


Anotem aí: quando caírem, vão curtir as férias nos balneários europeus, em iates gigantescos, dando uma banana para o povo brasileiro. Eles não têm amor à pátria, não. A pátria deles atende pelo nome de dinheiro. Exceção ao nosso craque e humilde Vini Júnior, um dos seres humanos mais maravilhosos que conheci. Esse, sim, merece nosso apoio e nossa torcida.


Vi o Brasil ser campeão do mundo em 1994, vice em 1998, e campeão em 2002, com jogadores humanos, maravilhosos, humildes e amigos dos jornalistas. Olhavam nos nossos olhos e viajávamos no mesmo avião, mundo afora. Quando havia uma diferença qualquer, eles resolviam cara a cara conosco.


Hoje é esse bando de mal-educados, mascarados, só porque se acham os maiorais, pelo dinheiro que conquistaram. Falam que somos invejosos. Ter inveja de quem tem dinheiro, mas não tem berço, educação e, em alguns casos, falta de caráter, seria terrível. Pra mim, tanto faz como tanto fez, ganhar ou perder a Copa.

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Os japoneses foram eliminados por nós, mas continuam a ser um país lindo, evoluído e uma potência mundial, onde a educação e saúde estão em primeiro plano. Isso sim causa inveja. Eu trocaria qualquer título mundial por essas necessidades básicas para o povo brasileiro. Já pensaram nisso, ao invés de ficarem sofrendo por essa turma, que não merece? “O futebol é a coisa mais importante, entre as menos importantes da vida” (Arrigo Sachi)

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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