A novela Hulk deve terminar esta semana, com a ida do jogador para o Fluminense. Aliás, um término que deveria ter ocorrido em dezembro, quando ele manifestou o desejo de sair, reclamando que a a diretoria não o teria valorizado. Pera aí, gente! Hulk construiu sua história no Porto, onde é ídolo, e depois foi para o Zenit, da Rússia, e para o futebol chinês. Na Seleção Brasileira, participou do vexame dos 7 a 1, e em 49 jogos oficiais pelo time brasileiro não fez um gol sequer. Tem apenas 12 gols em amistosos. Nunca jogou num gigante europeu, já que o Porto é gigante português, apenas. Portanto, o Hulk tem que ser eternamente grato ao Atlético por ter lhe aberto as portas e o tornado ídolo. Em 2021, foi o principal nome do futebol brasileiro, e de lá para cá, nada mais. Ultimamente, ele tem reclamado dos dirigentes, garantindo que na hora certa vai “falar” tudo o que precisa ser dito.
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Ele fica jogando o torcedor contra os dirigentes, e não acho isso saudável. Hulk está na história do clube, mas não é dono dele. É ídolo de uma geração carente, pois nunca foi craque, como Reinaldo, Ronaldinho Gaúcho... Reconheço sua importância, mas não a ponto de compará-lo ao maior jogador da história do clube, José Reinaldo de Lima, esse sim, um gênio. O que teria Hulk para falar? Se eu fosse ele, sairia pela mesma porta em que entrou: a da frente. Essa “guerrinha” não é saudável para ninguém. E outra coisa: no Brasil, se dá uma importância gigantesca a um jogador, como se ele fosse eterno, um “herói”. Hulk tem até nome de super herói, mas não é craque, não é gênio. Herói para mim são os bombeiros, professores, médicos, cientistas. Jogadores de futebol são apenas pessoas comuns, a maioria saída das favelas, que tem ascensão financeira gigantesca, mesmo sem estar preparados para ela. A relação tem que ser simples: o clube paga e o jogador entrega aquilo que tem que entregar. Se seu ciclo acabou e não estiver à altura de vestir a camisa, que vá embora respirar outros ares. E, cá pra nós, Hulk já está na descendente há tempos.
Os torcedores fazem uma ideia equivocada de SAF. Ela não foi feita para os donos ficarem tirando milhões ou bilhões de suas empresas particulares ou mesmo do próprio bolso. Elas chegaram para gerir, equilibrar as finanças e tornarem os clubes superavitários. Não é um saco sem fundo, mesmo porque a maioria pegou os clubes com dívidas gigantescas. Eu já disse que em Minas temos as duas melhores SAFs do país, pois ambas têm donos apaixonados. Ninguém vai acertar sempre nas contratações.
Reconheço que a saída de Rodrigo Caetano deixou um buraco no Galo, mas é preciso acreditar no trabalho e apostar numa recuperação a médio ou longo prazo. Não adianta o torcedor achar que o Atlético Mineiro é o Flamengo, pois está a milhas de distância dele. Além de ter títulos e mais títulos, o rubro-negro ficou 6 anos sem ganhar nada, mas o trabalho de recuperação financeira estava sendo feito. Teria o torcedor do Galo a paciência que a torcida do Flamengo teve? É muito fácil exigir contratações de grandes jogadores quando o dinheiro não sai do seu bolso. Os donos têm que gerir com responsabilidade, e, entre saldar dívidas para não pagar juros tão altos e montar, de forma irresponsável, um grande time, eu opto pela primeira. É preciso sofrer por um período para colher os frutos lá na frente.
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Rubens Menin e Rafael Menin são atleticanos, trabalham para ver seu clube no topo. Sofrem nas derrotas, como a humilhante de domingo, como também comemoram as taças, como em 2021, mas é preciso que tenham o respaldo do apaixonado torcedor atleticano para cumprirem suas metas. Não é do dia para a noite. “Ah, Jaeci, mas eles prometeram um Hulk por ano”. Sim, prometeram, pois era o sonho deles e da torcida, mas nem sempre as coisas saem como a gente deseja. Isso não significa que eles mentiram ou enganaram alguém e sim que o dinheiro não foi suficiente para tal. Não os conheço pessoalmente, estive com o Rubens Menin duas vezes em minha vida, mas a competência dele e da família é reconhecida nacionalmente. Não estou aqui como algumas aves de mau agouro para pisar na goela quando as coisas estão ruins. Não acho justo isso. Serei sempre a favor de SAFs de homens apaixonados, sejam eles quem forem. Pior é ter um John Textor, que não é botafoguense e usa o clube como investimento financeiro. É isso que você quer, torcedor atleticano?
