Estamos caminhando para 28 anos sem ver a cor da Copa Fifa, com futebol pobre, onde até os venezuelanos ganham da gente, sem a menor cerimônia, país em que o futebol é o quinto esporte em popularidade. Perdemos o respeito do mundo e ainda podemos nos gabar que somos pentacampeões. Bolivianos já ganharam de nós, assim como seleções africanas, Japão e por aí vai. Viramos um time de “mercenários”, como gostam de dizer os torcedores, pois o amor à Amarelinha ficou para trás há tempos.
Jogadores com poderosos fones de ouvidos, ignorando jornalistas e torcedores ao seu redor, cabelos pintados, dancinhas que não nos levam a lugar algum. E ainda se discute se Carlo Ancelotti deve ou não levar Neymar para a Copa. Claro que deve. Como crítico de Neymar, que jogou sua carreira esportiva no lixo, eu ainda o levaria para sua última Copa, na esperança de ele poder resolver um jogo ou outro. Com “uma perna só” é melhor do que os 26 jogadores que Ancelotti pretende levar, caso ele não esteja no grupo. Se estiver, meu time é ele e mais 25.
Dito isso, no jogo Santos 1 x 0 Atlético, houve um lance em que o atacante santista chuta a bola para a área, ela bateu no braço de Gabigol, que estava colado ao corpo, e entrou. O VAR chamou o árbitro e anulou a jogada. Gabigol se desesperou e disse ao árbitro Rafael Klein: “Você está brigando com a imagem, meu braço estava colado ao corpo”.
Klein aplicou cartão amarelo a Gabigol pela forma acintosa como se dirigiu a ele. Pois há uma razão que muitos jogadores desconhecem: se a bola é chutada, bate no braço de um companheiro, mesmo que o braço esteja colado ao corpo, e entra, o gol tem que ser anulado. Se a bola batesse no braço colado de Gabigol e em outro companheiro do Santos e entrasse, o gol seria validado. Simples assim: é a REGRA! Nós podemos até discordar dessa regra, mas a International Board a criou e não há como contestar aquilo que está na regra do futebol.
O grande problema é que os jogadores, milionários – hoje qualquer “pé de rato”, como diz meu amigo Neto, ganha R$ 500 mil mensais –, não se interessam em aprender as regras do futebol. Vários clubes já contrataram ex-árbitros para darem palestras, mas parece que os atletas não se interessam, ou dormem, ou desprezam aquilo que lhes é ensinado. Aí, passam vergonha, como passaram Gabigol e Neymar, que insistiram em discutir com o árbitro, como se estivessem certos.
Vejo o futebol europeu toda semana, principalmente os jogos da Champions League. Quando há um erro do árbitro, no máximo o capitão vai questioná-lo. Na semana passada, o goleiro do Atlético de Madri cobrou o tiro de meta curto para o zagueiro. Na área, o defensor meteu a mão na bola e reiniciou o jogo novamente. Pênalti claro, que o árbitro ignorou. O capitão do Barcelona fez pressão, mas não adiantou. O árbitro manteve a decisão de campo, entendendo que o goleiro não cobrara o tiro de meta. Um erro crasso que pode custar a eliminação do Barça, amanhã. Nem por isso, os demais jogadores deram chilique ou cercaram o árbitro. Mesmo sabendo que o árbitro errou, eles o respeitam, pois sabem que ele é humano, ainda mais árbitro de outro país, que não tem o menor interesse no resultado.
O atual presidente da CBF, Samir Xaud, está tentando moralizar o nosso futebol, inclusive coordenando a união dos clubes em torno de uma única liga. Já profissionalizou a arbitragem e pretende criar um centro de treinamentos somente para os árbitros.
É preciso que dirigentes, técnicos e jogadores colaborem mais. O que o tal Abel Ferreira, técnico do Palmeiras, faz, é um absurdo. Desacata nossos árbitros o tempo todo, não os respeita e agora reclama de uma punição justa, de dez jogos de suspensão. Ganha nosso dinheiro e não nos respeita. E, vale lembrar, que o Palmeiras é um dos times mais favorecidos pelos árbitros.
Não adianta a CBF querer o melhor para o nosso futebol se os clubes não colaboram. O Corinthians deve mais de R$ 3 bilhões. O Botafogo tem R$ 1,6 bilhão em dívidas, e por aí vai. Onde está o fair-play financeiro, as punições aos devedores, as quedas de série?
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Somos os únicos pentacampeões do mundo, mas nosso futebol está na lama, pobre, falido técnica e financeiramente. Mas “Alice no país das Maravilhas” continua como se nada estivesse acontecendo. Salários irreais, num país, cuja economia agoniza, jogadores sendo idolatrados como heróis, produzindo muito pouco e a bola rolando apenas 45 minutos a cada jogo. Realmente, chegamos ao fundo do poço. O que mais falta para que o esporte mais popular do país seja enterrado?
