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Estamos às vésperas da Copa do Mundo, que será sediada em conjunto por Estados Unidos, México e Canadá, mas vejo um silêncio quase sepulcral e uma distância gigantesca da torcida brasileira, que, um dia, foi a mais apaixonada, orgulhosa e a que tinha mais certeza de conquistas. Os anos passaram – já são 24 sem ver a cor da Copa Fifa – e tudo piorou. Técnicos enganadores acabaram com o nosso futebol e com a esperança de um povo apaixonado. Convocações esdrúxulas, de jogadores sem o menor talento para vestir a amarelinha, geraram desconfiança de que os “empresários” é quem convocavam. Havia um técnico que tinha na Seleção Brasileira 10 jogadores do seu mesmo empresário, uma grande vergonha. Mudamos de patamar ao contratarmos o italiano Carlo Ancelotti, mas o futebol fraco, sem inspiração e duvidoso, continua pairando no ar.
Hoje teremos um amistoso, em Boston, entre Brasil e França. Eu, que acompanho a Seleção há 45 anos, in loco, em todos os jogos, não me dispus a pegar um voo aqui em Miami, onde moro, para estar lá em apenas duas horas e meia. Não, porque essa Seleção não me representa e, muito menos, representa o povo Brasileiro. Os números de Ancelotti são os mesmos de Dorival Júnior, com aproveitamento pífio e até derrota para a Bolívia. Mas Ancelotti tem grife, tem nome, e é considerado o melhor técnico do mundo. Foi campeão por onde passou, diga-se de passagem, dirigindo os gigantes europeus. Quando pegou times de segunda linha, como Napoli e Everton, sucumbiu. Mas não há como negar que ele é referência e dá um status diferente ao nosso escrete, mas não se iludam com conquista de Copa do Mundo, pois isso não ocorrerá este ano. Talvez em 2030, com a manutenção de Ancelotti, e com essa geração de Rafinha, Vini Júnior e cia mais experiente e rodada.
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Depois, dia 31, vamos pegar a Croácia, em Orlando. Lá estarei, muito mais para visitar meu filho mais velho, que estuda direção de cinema na Full Sail, uma das universidades mais conceituadas do país, do que para ver a Seleção. Confesso que torço para Samir Xaud, que faz um trabalho brilhante, decente, sem escândalos, transparente e competente. Aliás, já marcamos um café para nos conhecermos pessoalmente. Conheço e gosto muito de seu pai, o grande Zeca Xaud, com quem convivi em muitas viagens e jantares. Samir é jovem e está modernizando o nosso futebol. Mesmo não tendo a experiência de velhas raposas do futebol, sabe muito bem conduzir a CBF e, até aqui, tem me surpreendido positivamente. Talvez seja eu o jornalista mais velho a cobrir a Seleção, atualmente, e, com essa prerrogativa, digo que vejo uma luz no fim do túnel pela bela gestão de Samir Xaud. Moderniza a arbitragem, dá uma nova roupagem à entidade, me parece muito coerente com o que pensa, fala e faz. Ao seu lado há um “monstro”, o melhor executivo do país, Rodrigo Caetano, um profissional exemplar, que faz um bem danado ao nosso futebol. Confio nessa dupla Xaud-Caetano, e vou apoiá-la incondicionalmente. Faço um pedido aos dois: por favor, me devolvam a vontade e o amor de acompanhar nossa Seleção nos quatro cantos do mundo. Ela me permitiu conhecer 73 países, fazer 301 coberturas internacionais e assistir, in loco, ao Brasil disputar três finais seguidas de Copa do Mundo, sendo campeão em duas: 1994 e 2002. Deem essa alegria ao povo brasileiro, não só com o caneco, mas com aquele futebol que nos ensinou a admirar, idolatrar e ter orgulho da única Seleção pentacampeã do mundo. Precisamos resgatar o amor do nosso povo pelo nosso maior patrimônio esportivo. Acho que isso não é pedir demais.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
