Os bastidores do documentário “O silêncio de Eva”, que ganhou sessão de pré-estreia na quarta-feira (25/3), no UNA Cine Belas Artes, renderiam um outro filme. Rodada durante a pandemia, há cinco anos, a produção viveu momentos tensos. Quem relembrou os perrengues foi o ator Eduardo Moreira, que está no elenco ao lado da mulher, Inês Peixoto, e da filha, Barbara Luz.
“O filme foi feito em janeiro de 2021, em plena segunda cepa da Omicron da COVID, no nosso apartamento, no São Pedro. Eram 40 pessoas diariamente durante mais de 10 dias. Eu falava: 'Isso não vai dar certo, a equipe toda vai pegar COVID. Foi um milagre, porque só o fotógrafo teve a doença e saiu antes (do início das gravações). Convivemos com a Omicron e a COVID durante duas semanas em um apartamento com 40 pessoas”, contou Eduardo. “Tivemos de gravar na pandemia para cumprir o prazo de entrega do edital”, acrescentou Inês.
Elza Cataldo e Inês Peixoto no lançamento do filme 'O silêncio de Eva' em Belo Horizonte
CARREIRA METEÓRICA
Com direção e produção de Elza Cataldo, o filme conta a história de Eva Nil. Nascida no Cairo, ela morava em Cataguases, onde fez carreira meteórica no cinema brasileiro dos anos 1920. A atriz fez sucesso em filmes de Humberto Mauro, Adhemar Gonzaga e de seu pai, o italiano Pedro Cornello. Na base do documentário, há depoimentos de pesquisadores sobre a trajetória de Eva, bem como informações interessantes sobre a produção cinematográfica de Minas e do Brasil naquela época. Inês Peixoto conduz a história por meio de entrevistas com pessoas que tiveram relação com Eva, além de pesquisadores. Inês, Eduardo Moreira e Barbara Luz atuam na reconstituição de cenas de filmes estrelados pela atriz de Cataguases. Uma delas é o ponto alto do documentário.
Christiane Tassis, que assina o roteiro com Elza Cataldo e Inês Peixoto, considera o projeto verdadeira aventura na tentativa de esclarecer um mistério. “Afinal, por que Eva desistiu da carreira?” questiona. Bem-humorada, diz saber por que as três, ao contrário de Eva, não desistem. “A gente começou este filme em 2018. A gente começa jovem e vai mudando bastante. Mas no final dá tudo certo.”
O ator Eduardo Moreira com Simone Matos e Helvécio Ratton, no UNA Cine Belas Artes
DIGNIDADE
No papo com a plateia depois da exibição, Elza Cataldo considerou digna a decisão de Eva Nil de desistir da carreira. “'Este tipo de filme eu não quero fazer, é pouco. Quero mais equipe, mais cenário', ela falava.” A diretora explicou que Eva desejava, no mínimo, estrutura melhor de trabalho. “A gente não fica assim? Eva nos traz a noção de mistério e também nos leva a refletir sobre o nosso próprio mistério”, ponderou.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
SEMPRE TENTANDO
Apesar dos percalços do caminho de quem trabalha com arte, Elza Cataldo revelou que continua seguindo e tentando. “Às vezes acho que a gente consegue, tem resultado, conseguimos realizar aquilo que sonhamos. Muitas vezes a gente não consegue, mas de qualquer maneira continuamos tentando”, afirmou.
