Gustavo Nolasco
Gustavo Nolasco
DA ARQUIBANCADA

Quem realmente ama o Cruzeiro está na semifinal

São as Cabulosas que vão honrando a história de briga por títulos, de respeito para com a Nação Azul e de entrega total pela instituição Cruzeiro

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Qual jogador do time atual disse, aos prantos, amar o Cruzeiro e dar a vida para representar sua camisa? Nenhum! Quem fez isso foi uma jogadora: Byanca Brasil. A líder e craque do único elenco que ainda pode levar o Cabuloso a disputar e conquistar um título realmente relevante nessa temporada de 2026.

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“Estou muito feliz pela classificação, pelo grupo, pela comissão, todo o estafe, toda a diretoria, todo o apoio que deram para nós. A gente sabe que o ano foi muito difícil (...) A gente sabe que é e sempre será por nós. A luta agora vai continuar. Agora é uma semifinal... mais uma, mas totalmente diferente; com essa camisa tudo é diferente. Eu amo ser Cruzeiro. Eu amo esse clube e sempre vou dar a vida para poder representar essa camisa.”

Essa declaração de amor de Byanca Brasil veio após a vitória por 3 a 0 sobre o Libertad-PAR. Com o resultado, as Cabulosas chegaram às semifinais da Copa Libertadores, nas quais enfrentam o também paraguaio Olímpia, às 21h (de Brasília) de hoje, em Quito, no Equador. Passando, vão à finalíssima contra o Corinthians ou o Santa Fé-COL, também na capital equatoriana, no próximo sábado.

Até aqui foram quatro jogos, quatro vitórias. Só um gol sofrido, 11 marcados – dos quais, cinco por Byanca Brasil, artilheira da competição.

Histórico! Assim já pode ser intitulado o desempenho das Cabulosas na Libertadores, mesmo o título não vindo. Afinal de contas, está é a primeira participação da equipe feminino do Cruzeiro na maior competição das Américas.

Mas elas não vão parar de lutar. São Resistência Azul Popular. Torcida Desorganizada Cabulosa, Comando Rasta... São um Movimento Revolucionário Azul! Elas nunca param! Como toda mulher no mundo, em especial no Brasil, desde o nascer, as jogadoras de futebol sabem que precisam resistir diariamente contra todo tipo de pressão, opressão, violência e desigualdade de oportunidades. Infelizmente, ser mulher – e jogadora de futebol – é ter a certeza de que nunca existirá zona de conforto.

Aos jogadores do masculino, ao contrário, esse berço esplêndido é ofertado desde os primórdios da humanidade (e do esporte), e segue sendo. Talvez esteja exatamente aí a parcela de culpa da diretoria cruzeirense em relação ao desempenho irregular do time de salários astronômicos comandado por Artur Jorge: o excesso de privilégios concedidos.

Eliminados vergonhosamente da Copa do Brasil, apaticamente da Libertadores e ainda sem a garantia de que levarão o Cruzeiro à competição continental de 2027, eles entrarão em campo amanhã, contra o Atlético de Lourdes. Se perderem mais essa, o que acontecerá? Absolutamente nada! Todos têm contratos milionários e mercados abertos para se transferirem para outros clubes – se quiserem.

Artur Jorge, pior ainda. Está na zona de conforto até 2030, ano até o qual seu contrato foi estendido, mesmo sem ter ganho nenhum título na sua primeira temporada no clube. Se ganhar do time da Turma do Sapatênis amanhã, bem. Se perder, bom para ele também: uma demissão precoce vai lhe render uma multa milionária.

É a naturalização dos privilégios que nina a soberba. Ao ponto do treinador português dar uma entrevista coletiva, ao final da vitória magrela e de futebol medíocre sobre o Remo, na última sexta-feira (23/10), sendo ríspido frente às perguntas que não eram para “levantar a sua bola” e se fazendo – ironicamente – de vítima a qualquer pequena contestação.

Enquanto isso, as semifinalistas da Libertadores 2026, Byanca Brasil e todo o time feminino (das jogadoras aos funcionários), seguirão tendo que matar um leão por dia. Sem descansar, sem zona de conforto, sem berço esplêndido e sequer a certeza de que terá uma nova temporada a cada ano que se avizinha.

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Enquanto os machos privilegiados do masculino fecharão a temporada sem nenhum título de expressão, são as Cabulosas que vão honrando a história de briga por títulos, de respeito para com a Nação Azul e de entrega total pela instituição Cruzeiro.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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