Gustavo Nolasco
Gustavo Nolasco
DA ARQUIBANCADA

Juntar os cacos antes de quebrar a garrafa

Cair na pilha da terra arrasada, que tudo feito é ruim ou do passado imutável é aceitar e trabalhar para que não tenhamos a chance de mudar o futuro

Publicidade

Mais lidas

O tsunami passou pela Toca da Raposa levando as esperanças de 2026, mas também as estruturas subdimensionadas e os sistemas de segurança frágeis. Se de um lado devastou o planejamento de curto prazo, de outro, deixou boas lições a serem recolhidas – se ainda restar inteligência e pulso para que os alicerces não sejam carcomidos pelo desespero.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

Os próximos meios de semanas vazios, de hoje até o final da temporada, serão aquele “cantinho do pensamento” que muitos de nossos pais – e nós mesmos – reservam para as crianças, como castigo por aquilo que, sabidamente, não deveriam ter feito.

Já houve protestos da Nação Azul fora e dentro do Mineirão; massacre midiático – da aldeia e da crônica esportiva nacional –; a tradicional “malhação” da torcida adversária quando vence um rival e até o presidente da SAF Cruzeiro na beira da arquibancada tentando argumentar com quem acredita que falta a ele pulso firme para cobrar.

Além de todas essas ondas gigantescas, ainda tivemos o prejuízo milionário pelas desclassificações precoces tanto na Copa do Brasil quanto da Libertadores. O que mais poderia acontecer? Ficar fora da Libertadores 2027?

Essa possibilidade deve estar fora de cogitação – é o que se espera. Mas resumir todo um trabalho – iniciado há mais de dois anos – às falhas evidenciadas tanto no embate contra o Flamengo quanto contra o Atlético de Lourdes, seria uma estupidez das mais perigosas para o processo de recuperação do Cruzeiro, iniciado com o fim da Era Ronaldo Nazário.

Durante esse período de “cantinho do pensamento”, é preciso entender, rapidamente, que, mesmo com todos esses cacos espalhados pela Toca da Raposa nas duas últimas semanas, a garrafa não foi quebrada.

Existe algo sólido, construído (e em permanente construção) com planejamento e propósito de vida, que não pode ser medido apenas por duas das consequências (as traumáticas desclassificações), por mais que essas tenham sido tão devastadoras aos olhos do presente.

Mudar o passado é muito diferente de execrá-lo. Aí está o ponto central da análise. Existe um provérbio iorubá que diz: “Exu matou um pássaro ontem com uma pedra que só jogou hoje.”

Os iorubás (ou nagôs) constituem um dos maiores grupos étnicos-linguísticos da África Ocidental. São marcados pela construção de cidades e reinos altamente organizados. Um deles, o Reino de Ifé (onde fica hoje a Nigéria), por exemplo, é considerado o “berço da civilização”.

Para os iorubás/nagôs, o tempo não é algo linear (passado-presente-futuro). Para eles, o tempo é cíclico e por isso, a analogia do “atirar uma pedra no presente para alterar a algo do passado” torna real e factível a possibilidade de influenciar o que irá acontecer no futuro.

Aí está o motivo de evocar o provérbio iorubá/nagô para alertar sobre o momento atual do Cruzeiro. O mais importante é ter a consciência de que o erro do passado pode, sim, ser alterado.

Sendo o tempo circular – e não linear –, é muito importante que as concepções, atitudes, planejamentos e ações do passado não sejam vistos com um fracasso imutável que um tempo linear nos guardaria. A pedra lançada deve ter o objetivo de ressignificar as estratégias, e não jogados fora ou execrados.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Cair na pilha da terra arrasada, da garrafa quebrada, tudo feito aqui é ruim ou do passado imutável, é aceitar e trabalhar para que não tenhamos a chance de mudar o futuro. Seria por exemplo, depois do episódio de domingo passado, acreditar que Matheus Pereira e Kaio Jorge jamais voltarão a formar uma dupla sintonizada e exitosa.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

Tópicos relacionados:

copa-do-brasil cruzeiro futebol libertadores

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay