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Quando o atleticano fala em mau-caratismo, ele está conversando com o espelho
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Não importa o resultado esportivo. Perder ou ganhar, classificar ou ser eliminado fazem parte da vida. Mas seja em qualquer dessas opções, quando o atleticano fala em mau-caratismo, ele está conversando com o espelho.
Seria patética, se não fosse extremamente perigosa para as pessoas envolvidas e para a sociedade civil como um todo, a estratégia baixa e apelativa de alguns integrantes do Clube (sic) Atlético (sic) Mineiro (sic), que envolveu o confronto das quartas de final da Copa do Brasil, ao transformarem uma entrada forte – e por que não desleal – de Kaio Jorge sobre Ruan Tressoldi em um episódio isolado de mau-caratismo, como se esse fosse um fato isolado de um contexto onde nunca existiu um único vilão (se é que se pode falar em “vilão”).
Uma ação temerária, já que, para tentarem criar um clima que afetasse o desempenho esportivo de um adversário dentro das quatro linhas, expuseram um jovem ao perigosíssimo tribunal inquisidor das mídias digitais, ainda mais em uma sociedade contaminada pelo ódio, pela intolerância e pela normatização da violência babilônica do “olho por olho, dente por dente”.
Atitude infame, já que omitiram o histórico de outras entradas fortes do mesmo zagueiro em cima do próprio Kaio Jorge, em confrontos passados. Repetindo a postura da instituição de se negar a condenar, por exemplo, o violento golpe intencional do goleiro Everson, com o joelho cravado no rosto de Christian, caído no chão, no clássico do dia 8 de março de 2026.
Claramente, as declarações conscientemente incoerentes e as meias verdades propagadas por representantes e funcionários do Atlético de Lourdes às vésperas da partida decisiva da Copa do Brasil insuflaram um clima de “guerra”.
Não se trata de um fato isolado, visto que vem de uma agremiação que normalizou e glorificou um estuprador com o intuito de comemorar uma vitória sobre o Cruzeiro, por exemplo. Lembremos que em 2017, quando já havia ampla divulgação mundial da grave acusação de crime de estupro cometido pelo atacante Robinho, a diretoria do Atlético de Lourdes ostentou a camisa do então seu atleta na sua sala de troféus, onde podia ser vista, inclusive, por crianças, meninas adolescentes e mulheres.
Essa prática do atleticano de ignorar o próprio DNA do mau-caratismo não se restringe a esse episódio abjeto da história do esporte e da sociedade mineira, protagonizada pela instituição no caso Robinho. Odiar os adversários e vangloriar a violência em campo como “raça” é parte de estratégia midiática construída há mais de um século.
Nos anos 1970, por exemplo, os atleticanos estenderam pelas ruas de Belo Horizonte uma faixa de “boas-vindas” ao presidente-ditador Emílio Garrastazu Médici, baluarte da ditadura cívico-militar que torturou e matou milhares de brasileiros entre 1964 e 1985.
Há poucas décadas, um presidente desse “Clube”, ferozmente disse, sem nenhum pudor: “O Cruzeiro representa para mim aquele meu objetivo que é destruí-lo. Então, se eu puder destruir o Cruzeiro e estiver ao meu alcance, vou morrer completamente feliz.”
Esses fatos de incitação à violência e tantos outros escondidos por detrás do espelho que reflete o mau-caratismo do atleticano, asquerosamente, encontram uma organização para ora normatizá-los, ora amplificá-los para insuflar seus adeptos. Esse segmento é popularmente conhecido no meio futebolístico de Minas Gerais como “a aldeia”. Trata-se da organização dos veículos de imprensa que pertencem a torcedores desse clube e/ou estão a serviço dele.
Essa crônica foi escrita antes do início (e do resultado final da partida de ontem), mas, independentemente de que ganhou ou perdeu, se classificou ou foi eliminado, certo foi que Cruzeiro e Atlético de Lourdes foram atores de uma mais das centenas de guerras imorais e antiéticas criadas por alguns integrantes do Clube (sic) Atlético (sic) Mineiro (sic) e sempre amplificadas por seu braço midiático, “a aldeia”.
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Independentemente do placar esportivo ao final da partida de ontem, um resultado foi possível antecipar: quando se trata de evocar o mau-caratismo, o atleticano é um narcisista se olhando no espelho.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
