Vitórias ou derrotas não podem durar mais que 24 horas
Para um time disputando três campeonatos/copas duríssimas, como é o caso do Cruzeiro, uma das maiores virtudes é saber "virar a chave" entre as competições
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Se tem um reforço que encaixaria perfeitamente nos buracos da fechadura para destravar definitivamente o desempenho do escrete do comandante Artur Jorge para essa temporada, ele é o Goldinho.
Baixinho, dentes tortos, cabeça redonda e grande e pele amarela – mesmo não sendo oriundo dos países orientais ou de povos indígenas. Goldinho nasceu em Pouso Alegre, no Sul de Minas, ao final da década de 1960, exatamente entre as primeiras conquistas do Brasileiro (Taça Brasil de 1966) e da Libertadores (1976) pelo Cruzeirão Campeão.
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Nas fachadas por onde se pendura está sempre sorridente. Experiente e clássico, não faz o estilo “corte de cabelo” de jogador modinha. Ao contrário, Goldinho não abre mão do seu indefectível boné azul celeste na cabeça como único adereço.
Se a memória afetiva te remeteu as placas das bancadas de chaveiros, você está corretíssimo. Estou a falar dele mesmo, o mascote da marca de chaves e cadeados Gold. Aquele bonequinho em forma de chave que ora está pintado, ora é mesmo uma placa metálica a lhe olhar, sorrindo e com o sinal de positivo com o dedão.
Para um time disputando três campeonatos/copas duríssimas, como é o caso do Cruzeiro, uma das maiores virtudes é saber “virar a chave” entre as competições. Vitórias empolgantes ou derrotas doloridas não podem perdurar por muitas horas após o apito final.
Nesse exato momento, o Boca Juniors já é passado. O desafio de seguir na Libertadores é duríssimo, mas pensemos nele só a partir da véspera da próxima peleja internacional, que se dará no dia 6 de junho, contra o Universidad Católica (jogo de vida ou morte).
Porém, não abandonemos o gancho da morbidez para tratar do ponto crucial desse instante de virada de chave entre a Libertadores e o Brasileirão. Sábado, no Mineirão, o Goldinho terá duas missões. A primeira é não travar a nossa sequência de ascensão. A segunda, não ressuscitar os quase-defuntos da Turma do Sapatênis.
Se vencermos a peleja, não iremos enterrar definitivamente o Atlético de Lourdes. Não será nem mesmo o primeiro prego a ser fixado no caixão rumo ao cemitério da Série B. Afinal de contas, o Brasileirão ainda é longo e a parada para a Copa do Mundo pode salvar vários clubes que, neste momento, estão na UTI.
Mesmo que a rivalidade nos leve a pensar que é obrigação do nosso escrete não deixar quase-defunto renascer, não devemos replicar a soberba demonstrada por eles em 2011, quando levarão caixões azuis e bancos para as ruas e, depois, tomaram 6 a 1 no lombo.
Não iríamos evocar o Goldinho, um craque do desarme, apenas para dar um novo sacode na Turma do Sapatênis, não é? Virar a chave rapidamente para o Brasileirão é vital para as nossas pretensões para esta e para a temporada seguinte. Até a parada para a Copa do Mundo, serão cinco partidas. Sendo uma delas contra o líder Palmeiras.
Nem o mais otimista dos torcedores pode viver a ilusão de que ainda estamos no páreo pelo título do Brasileirão. Infelizmente, já são 16 pontos de distância para um time – o Palmeiras – que dificilmente perderá no restante do certame.
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Por outro lado, manter uma boa sequência de vitórias vai garantir que cheguemos à parada da Copa do Mundo já dentro da zona de classificação para a Libertadores de 2027.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
