Gustavo Nolasco
Gustavo Nolasco
DA ARQUIBANCADA

Quem vier, venha na paz

Será preciso muita coragem e entrega por parte do futuro comandante que aceitar cruzar a placa de entrada da Toca da Raposa 2

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Um olho no Oscar e outro no gramado do Mineirão. A noite de domingo passado foi de torcida e decepções duplas; essas últimas, absorvidas de formas bem diferentes quando mais nada poderia ser feito.

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No maior festival de cinema do mundo, o Brasil competia em cinco categorias: Direção de elenco, Fotografia, Melhor filme internacional, Melhor ator e Melhor filme.

Quando, em Los Angeles, perdíamos a primeira disputa (Gabriel Domingues, diretor de elenco do filme O Agente Secreto, não levou o prêmio), no Mineirão, a festa explodiu. Christian anotava o primeiro tento para o Cruzeiro, após uma jogada digna de cinema. Cruzeiro 1 x 0 Vasco.

O elenco celeste seguiu dominando a peleja com extrema tranquilidade, como se fosse o protagonista de uma película “água com açúcar” e com o final – certamente – feliz. Engano, o filme era de terror.

As estatuetas iam saindo aos montes no palco do Dolby Theatre. Os próximos brasileiros (Adolpho Veloso, na categoria “Fotografia” e O Agente Secreto em “Melhor filme internacional”) só seriam anunciados depois das 22h30. Nesse meio tempo, no Mineirão, o roteiro mudou de forma surpreendente – e triste para quem torcia pelo Cruzeiro como o “mocinho” da história. O Vasco não só empatou o jogo, como virou.

Foi preciso lançar dois personagens coadjuvantes (Neyser Villarreal e Japa) para evitar o pior. Eles marcaram e evitaram a derrota: 3 x 3. Mas antes do apito final, a torcida já adivinhava e entoava como o filme iria acabar: “Adeus, Tite / Adeus, Tite”.

Enquanto nos Estados Unidos perdíamos as outras quatro estatuetas do Oscar ainda possíveis, já quase madrugada no Brasil, o vice-presidente de Futebol do Cruzeiro, Pedro Junio, sacramentou o final da história que quase todos queriam assistir, ao anunciar a demissão de Tite.

Na torcida pelo Oscar, mesmo sem nenhum título, ficou o orgulho imenso por ter o Cinema Brasileiro provando ao mundo como a arte/cultura é uma potência no Brasil, inclusive gerando muito mais empregos e renda do que outros setores tradicionais da economia.

Quanto ao Cruzeiro, a torcida chegou ao fim do domingo com o sentimento de alívio e esperança. Desde então, vive em compasso de espera pelo anúncio do próximo treinador. Em um misto de “braços abertos” e de desejo de cobrança em relação a quem chegará.

Essa ambiguidade leva a Nação Azul a viver dentro do enredo de outro filme brasileiro brilhante chamado Bacurau. O nome remete à cidade fictícia no sertão brasileiro, onde se desenrola a história de suspense, violência e indignação.

Uma das cenas clássicas de Bacurau, à beira de uma estrada empoeirada e quase deserta, uma placa anuncia: “Bacurau 17km / se for, vá na paz”. Uma ironia onde se colocava em dúvida se a recepção dos moradores seria pacífica ou ameaçadora para quem chegasse por lá pela primeira vez.

Do cinema para o futebol. O péssimo início do Cruzeiro no Brasileirão e a proximidade da Copa Libertadores deixam claro que os desafios são múltiplos e complexos para qualquer treinador que chegar. Entre eles, ter a competência e sabedoria para reverter, inclusive, frustrações pessoais de alguns atletas que podem influenciar perigosamente no jogo coletivo.

Por exemplo, como Fabrício Bruno, Gerson, Kaio Jorge, Arroyo e Sinisterra irão encarar a possível não-convocação para a Copa do Mundo? Como Kaiki se manterá motivado após a frustrada transferência para a Europa? Como dosar a pressão sobre jovens, como Neyser? Como tratar o emocional de Matheus Cunha, mesmo sabendo que a torcida rapidamente começará a pegar no pé do novo goleiro?

Para que o gigante Cruzeiro volte logo a ser multicampeão, será preciso muita coragem e entrega por parte do futuro comandante que aceitar cruzar a placa de entrada da Toca da Raposa 2. Até mesmo porque tempo e paciência (da torcida) são itens com os quais ele, definitivamente, não poderá contar.

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Fica o aviso irônico e de duplo sentido. Seja quem for, se vier, venha na paz.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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