Gustavo Nolasco
Gustavo Nolasco
DA ARQUIBANCADA

Sem banheiro por perto no Brasileirão e na Libertadores

O que tem mais nos deixado com os pelos do braço arrepiado e o suor descendo frio pela testa é o completo desarranjo do escrete em campo

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Quem nunca passou por aquela indisposição intestinal de fazer os pelos do braço arrepiarem e o suor descer frio pela testa de um rosto em pânico?

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Tenho um amigo que, de tanto conviver com o intestino desarranjado, acabou por se tornar um especialista em avaliar e indicar banheiros públicos amigáveis pela cidade. Seja em prédios, cidades, bares, repartições, shoppings e até mesmo aeroportos por onde já passou.


Há episódios surreais. Em um deles, chegou a parar um jatinho a caminho de uma reunião com embaixadores e o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. O piloto, já autorizado pela torre de controle, pelo perigo da hecatombe a bordo, taxiou e retornou ao hangar para salvar meu amigo de uma vergonha sideral.


A constância e o volume de apertos acumulados na vida, muitas vezes sem um espaço por perto para se sentir tranquilo e seguro com a rapidez necessária, lhe deram experiência e conhecimento. Acabou por produzir um mapa próprio da cidade.


Tal bairro possui banheiro público de acesso gratuito. Na vila tal, pergunte logo onde fica a Vendinha da Dona Ana. Apertado no centro da cidade? Vá direto à repartição de retiradas de documentos – o banheiro é um paraíso. Fuja do banheiro do boteco do Sô João. “Agora, no topo do ranking dos ‘tronos’, está o toalete do segundo andar do Shopping 5a Avenida, na Savassi. Meu irmão, é um primor de limpeza, silêncio e tranquilidade”, ele fala ao canto de orelha, tampando a boca como jogador fugindo da leitura labial para a informação soar como um segredo valioso.


Domingo passado, em meio a mais uma partida sofrível do Cruzeiro 2026, corri ao telefone e liguei para ele: “Qualé, Zé?!? O Cássio bateu seu recorde! Tinha que ser do seu time mesmo”. Rimos para tentar disfarçar a raiva que o “junta-junta” celeste estava nos causando frente ao fraquíssimo Betim.


Poderia ser ainda pior para o Cássio (se o banheiro estive do outro lado do campo, e não bem atrás de sua meta) e para o Cruzeiro, no caso, salvo com um gol no último segundo da peleja, dando à vitória magra o apelido popular do efeito dos desarranjos estomacais. “Foi uma tremenda cag...”, concluímos.


O primeiro mês da temporada se passou – com mais apertos do que alívios. Até aqui, três vitórias e quatro derrotas, em uma delas, goleados de maneira humilhante.


Apesar disso, nem tanto os resultados, mas o que tem mais nos deixado com os pelos do braço arrepiado e o suor descendo frio pela testa é o completo desarranjo do escrete em campo. O time ainda pena para conseguir se adaptar ao esquema tático de Tite – com mais posse de bola – e o próprio treinador sem encontrar uma forma eficiente de encaixar Gerson entre os titulares sem bagunçar geral o que já estava ajustadinho.


Não há motivo – e seria injustiça – crucificar jogadores e treinador com tão pouco tempo de trabalho. Como dito na resenha da semana passada, toda virada de temporada, combinada com mudança de treinador, demanda tempo e paciência.


Por outro lado, o sinal de alerta está definitivamente ligado. Amanhã, já entraremos em campo contra o Coritiba, pela segunda rodada de um Brasileirão que, se o Cruzeiro realmente quiser competir com Flamengo e Palmeiras, terá que acumular muitos pontos no início do certame. Hoje, somos o último colocado entre os vinte concorrentes.


Ontem se iniciou a fase da pré-Libertadores. Estamos há menos de dois meses da nossa estreia na fase de grupos. Parece muito tempo, mas não é. Precisamos chegar com o time voando; jogando por música e totalmente preparado para não sermos pegos de surpresa com desarranjos repentinos.


Daqui em diante, vitórias sofríveis poderão vir, tanto no Brasileiro quanto na Libertadores. Certamente, virão, mas não podem ser fruto da sorte, de uma “cag...” ou de lampejos individuais.

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Definitivamente, chegou a hora de Tite engrenar o time, porque, ao contrário do meu amigo e do Cássio, o Cruzeiro não terá banheiros limpos por perto no Brasileirão e na Libertadores.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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