Leon Myssior
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Leon Myssior é Arquiteto e Urbanista, sócio da incorporadora CASAMIRADOR, fundador do INSTITUTO CALÇADA e acredita que as cidades são a coisa mais inteligente que a humanidade já criou.
GELEIA URBANA

Feira moderna

Segundo Ayn Rand, ‘você pode ignorar a realidade, mas não pode ignorar as consequências de ignorar a realidade’

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E foi a partir dessa percepção que o mais novo Conselho de Notáveis para Agricultura, Alimentação e Saúde, criado por decreto (lógico), fez seu debut com um grande seminário de sensibilização. Do seminário, derivam as novas leis e regras para a implantação de hortas e o plantio de hortaliças.

Em linhas gerais, as mudanças pretendem padronizar e disciplinar o parcelamento do solo nas hortas, estabelecendo quantidades mínimas e máximas de sementes, a espécie, o porte, a orientação solar para os brotos, o espaçamento entre eles e o ferramental autorizado para plantio, manipulação, manutenção e colheita.

A fim de que nenhum horticultor leve vantagem ou ofereça produtos diferentes, o plantio passa a ser restrito ao rol de plantas, hortaliças e espécies aprovadas, devidamente listadas em norma própria. Afinal, novas espécies ou produtos diferentes trariam enorme dificuldade ao setor de aprovação e concessão da licença de plantio, bem como ao setor de fiscalização e conformidade.

Embora as novas regras eliminem qualquer resquício de espontaneidade, qualquer gesto mais original e a maior parte das tentativas de experimentação e inovação, o Conselho de Notáveis para Agricultura, Alimentação e Saúde garante que nivelar tudo “por baixo” e limitar novidades é muito bom para população, os agentes públicos e o mercado.

O Conselho de Notáveis para Agricultura, Alimentação e Saúde garante ainda que as novas regras de plantio, o espaçamento obrigatório entre cada muda e os custos de licenciamento vêm para o bem - e a segurança - da população.

Perguntados sobre os efeitos da demanda por mais terra, do espelhamento e das maiores distâncias impactando a logística, membros emitiram um parecer assinado pelos maiores especialistas da academia, desmerecendo todos os argumentos e lembrando que a modernidade não espera ninguém, e que tudo o que vem sendo feito visa, sempre, o bem estar e a felicidade da população.

Finalizam afirmando a crença que, a despeito da maior exigência de terra, do espalhamento, das questões logísticas, das novas exigências técnicas e legais, do prazo para obtenção de todas as permissões, o preço das hortaliças deve baixar em breve, porque a trajetória encontra-se dentro do esperado no plano original.

E mesmo que o Japão esteja investindo em hidroponia vertical, produzindo num único prédio mais do que todo um município sob as regras prescritas pelo venerável Conselho de Notáveis para Agricultura, Alimentação e Saúde, ainda assim estaremos no caminho certo, porque nosso caminho é apenas nosso, nossa realidade é a realidade que queremos criar, e nosso futuro pertence apenas a nós e a mais ninguém.

Isso valerá, igualmente, para outros lugares que se mantiveram plantando suas hortas da forma tradicional, sem Conselhos, sem licenças, sem fiscalização, uns mais compactos que outros, alguns em desníveis, outros parcialmente suspensos. Novamente, ignorando qualquer experiência, história ou lição vinda de fora (ou até mesmo a nossa própria história e experiência pregressa), estaremos no caminho certo, porque nosso caminho é apenas nosso, nossa realidade é a realidade que queremos criar, e nosso futuro pertence apenas a nós, a mais ninguém.

Afinal, ao fim do dia, o que importa não é produzir mais, ou mais barato, nem dar vazão à demanda ou necessidade da população (em especial a da população mais necessitada), mas “ser moderno”, regular, licenciar e fiscalizar.

Mas, e as cidades, seus prédios, o aproveitamento dos terrenos, produzir mais apartamentos? E a densidade? Bem, o importante é estarmos no caminho certo, porque…

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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