Você tem viagem marcada para o fim do ano e acordou nesta segunda com o dólar no meio da conversa? Pois é. O resultado das urnas de domingo mexeu com o câmbio antes mesmo de o mercado brasileiro abrir. Na sexta, o dólar à vista tinha fechado a R$ 4,99. Na noite de domingo, o contrato negociado em Chicago já apontava R$ 5,56, segundo a Bloomberg Línea. Nessa coluna eu não vou falar de política, tá? Vou falar do seu bolso, que é o que muda a sua viagem.
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A primeira tentação num dia assim é decidir no susto. Tem gente que corre para comprar tudo antes que suba mais, e tem gente que jura que vai esperar o dólar voltar. As duas apostam numa única cotação, e ninguém sabe onde o dólar fecha esta semana. Eu não sei, o gerente do banco não sabe, o seu cunhado também não. O que dá para controlar é outra coisa: o preço médio que você vai pagar.
E aqui entra a conta que eu queria te mostrar. Imagine que você vai gastar US$ 2.000 numa viagem em dezembro. Se comprar tudo de uma vez num dia ruim, com o dólar a R$ 5,40, paga R$ 10.800, mais 3,5% de IOF, o que dá R$ 11.178. Agora divida a mesma compra em quatro partes de US$ 500 até o embarque, e digamos que elas saiam a R$ 5,00, R$ 5,40, R$ 5,20 e R$ 5,10. Os números são redondos só para a conta ficar clara, certo? O total vira R$ 10.350, que com o IOF dá R$ 10.712. São R$ 466 de diferença, sem adivinhar nada!
O truque é que você para de tentar acertar o dia e passa a pagar a média. Às vezes a parcela cai num dia caro, às vezes num barato, e no fim uma compensa a outra. Quem viaja em dezembro ainda tem algumas semanas pela frente, então três ou quatro compras cabem bem no calendário. Quem só embarca no meio de 2027 tem ainda mais tempo para diluir. E se você já comprou uma parte antes da eleição, ótimo: guarde e siga o plano com o resto. A mesma lógica vale para o euro e a libra, que também são cotados contra o real e sentem o mesmo movimento.
Outra dúvida que chega muito: compensa mais levar dinheiro vivo ou usar o cartão? Bom, pelo imposto, tanto faz. Desde o decreto de junho de 2025, que o STF validou em julho daquele ano, o IOF é de 3,5% no cartão de crédito, no débito, no pré-pago usado lá fora e também na compra de moeda em espécie. Com a alíquota igual, o que separa uma opção da outra é a cotação que cada instituição aplica e o momento em que ela é travada.
E é aí que o cartão pré-pago e a conta em moeda estrangeira ajudam quem quer comprar em partes. Você converte o valor no dia em que carrega o saldo, e aquele dinheiro fica com a cotação daquele dia. Em semana de dólar nervoso, eu prefiro saber quanto paguei no dia em que paguei. Recarregar aos poucos faz exatamente isso, e ainda te obriga a seguir o calendário que você mesmo definiu, sem ficar olhando a cotação a cada hora.
Se ainda falta comprar a passagem internacional, olhe primeiro o preço final em reais e não deixe a emissão para a última hora. Aliás, quem tem milhas acumuladas pode usar agora para emitir o trecho internacional e deixar o dinheiro para os gastos lá fora, que são os que sentem o câmbio. Se você ainda não junta pontos e quer começar do jeito certo, deixo aqui um guia gratuito: https://estevampelomundo.net/lp-estevam
Se você acha que precisa cancelar a viagem por causa de uma segunda-feira agitada, está enganado. Ela precisa de planejamento: quanto você vai gastar lá fora, quando vai comprar cada parte e em que meio vai pagar. Te garanto que, com essas três respostas no papel, o sobe e desce do dólar assusta bem menos.
E você, já começou a comprar a moeda da sua viagem ou ainda está esperando o dia certo? Me conta lá no Instagram, no @estevampelomundo. E vou deixar aqui o link do meu grupo de alertas de viagens, pra quem quer receber passagem em promoção no WhatsApp: https://estevampelomundo.com/alertas-de-voos
Até a próxima!
Lucas Estevam é criador do canal Estevam Pelo Mundo, no ar desde 2014, com mais de 2 milhões de seguidores e mais de 400 milhões de visualizações no YouTube. Já visitou mais de 100 países.
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