Paulo Guerra
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Ciência básica: o investimento que não podemos mais adiar

Investir em ciência básica é a estratégia mais consistente para gerar desenvolvimento

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Em tempos de orçamento apertado, governos costumam enxergar a ciência básica como um luxo. Laboratórios, bolsas de pesquisa e infraestrutura acadêmica são apresentados como gastos distantes das urgências do dia a dia. Mas uma série de estudos, nacionais e internacionais, mostra que essa percepção está equivocada: o investimento em ciência fundamental é um dos investimentos públicos com maior retorno econômico e social já medidos.

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Pesquisas conduzidas por universidades como MIT, Stanford e Oxford, além de organismos como OCDE e Banco Mundial, convergem para a mesma conclusão: cada real aplicado em ciência básica gera retornos que podem ultrapassar 20 vezes o valor investido ao longo dos anos. Dentre esses retornos, estão inovação industrial, aumento de produtividade, criação de empregos qualificados, atração de empresas de alta tecnologia e startups, formação de talentos e o surgimento de ecossistemas que se retroalimentam.

O motivo é simples. A ciência básica funciona como a raiz de uma árvore: não produz frutos imediatos, mas sem ela, não há tronco, galhos ou folhas. Tecnologias que hoje movem a economia global (semicondutores, internet, GPS, vacinas de RNA, inteligência artificial) nasceram de pesquisas que, no início, pareciam abstratas, distantes e até inúteis. Os estudos mostram que, quando governos deixam de financiar essa etapa inicial, toda a cadeia de inovação fica comprometida, e o país se torna dependente de outros para se desenvolver.

Governos do mundo inteiro enfrentam o mesmo dilema: investir em ciência e tecnologia é caro, lento e cheio de incertezas. No entanto, a literatura é clara ao mostrar que deixar de investir custa ainda mais. Isso não significa, porém, que todos os projetos entregam resultados excepcionais.

Estudos de custo-benefício sobre investimentos públicos em ciência e tecnologia realizados na Suécia, no Japão, nos Estados Unidos e na Espanha mostram que os benefícios existem, mas dependem fortemente de fatores como governança, integração com universidades, qualidade da gestão e capacidade de atrair empresas inovadoras. Quando esses elementos falham, o retorno cai drasticamente.

Vale lembrar que muitos dos benefícios mais importantes são externos e intangíveis, como difusão de conhecimento, formação de mão de obra qualificada, aumento da competitividade regional e criação de redes de cooperação entre empresas e universidades. Esses resultados raramente são capturados em estudos de custo-benefício, mas aparecem de forma consistente em análises qualitativas.

Outro aspecto crucial é a continuidade. No Brasil, isso é particularmente evidente. Estados que mantiveram investimentos contínuos em pesquisa, como São Paulo, colhem há décadas resultados superiores em inovação, exportações de alto valor agregado e atração de centros de P&D. Minas Gerais, com universidades fortes e polos industriais diversificados, tem potencial semelhante, mas sofre com ciclos de descontinuidade que interrompem projetos antes que amadureçam.

Os estudos também mostram que o setor privado, sozinho, não supre essa lacuna. Empresas tendem a investir em pesquisa aplicada, voltada para produtos e resultados de curto prazo. A ciência básica, por sua natureza incerta e de longo horizonte, depende de financiamento público. Quando esse financiamento existe, o setor privado acompanha. Quando não existe, ele recua.

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A conclusão é direta: precisamos planejar bem, de forma integrada e com visão de longo prazo. Investimentos públicos em ciência e tecnologia são um componente indispensável de qualquer estratégia séria de desenvolvimento.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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