Bertha Maakaroun
Bertha Maakaroun
Jornalista, pesquisadora e doutora em Ciência Política
Em Minas

Amnésia das urnas e algoritimos da colônia

Sem soberania digital, que não está sendo debatida nas eleições, a "colônia digital" seguirá com os problemas adicionais para as escolhas eleitorais

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Embora para todos os partidos políticos conquistar bancadas fortes na Câmara dos Deputados seja, neste pleito, tarefa considerada mais importante do que eleger governadores de estado, para o eleitor mediano, as escolhas legislativas tendem a ser as últimas. Recorte da pesquisa “Datafolha” divulgado nesta quarta-feira, 30, sustenta que 57% dos eleitores brasileiros não definiram o voto para deputado federal; igual contingente de 57% ainda não escolheram o voto para deputado estadual; e 59% não definiram nenhum dos dois votos para o Senado.

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Não é de se estranhar. As escolhas legislativas no sistema proporcional misto de lista aberta, como é o caso brasileiro, são mais difíceis para o eleitor. São 7.803 candidatos a deputado federal no país, dos quais, 756 concorrendo em Minas. Para as Assembleias Legislativas, são 11.994 candidaturas nos 26 estados mais Distrito Federal, destas, 998 em solo mineiro.


A menos que se vinculem a partidos políticos que representem plataformas claras, que despertem identidades, torna-se tarefa muito complexa. Exceção ao PT, ao PL e, em nível de reconhecimento de nichos menores, o Psol, o Novo e mais recentemente o Missão, o eleitor tem diante de si um cardápio de 30 legendas registradas na Justiça Eleitoral. Na prática, uma salada de siglas, que dizem pouco. Em algumas delas, não há consenso interno sequer em relação à posição política em relação ao governo em curso: parte das bancadas de partidos aderem; a outra parte segue na oposição apesar de a legenda integrar o governo.


Não apenas as escolhas eleitorais de deputados federais e estaduais são aquelas que mais tardam. São também as primeiras a serem esquecidas. A amnésia eleitoral é conhecida e mapeada pelos pesquisadores, cientistas políticos e sociólogos. Menos de um mês após a vitória do presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2018, 40% dos eleitores já não se lembravam em quem haviam votado para deputado federal ou estadual, segundo dados do Estudo Eleitoral Brasileiro (Eseb), feito do Centro de Estudos e Opinião Pública (Cesop), da Unicamp.


Tal esquecimento expõe a faceta mais perversa de uma representação legislativa, que não se traduz em identidades ou em plataformas programáticas compartilhadas. Podem representar muita coisa, menos as aspirações mais profundas e legítimas do eleitor mediano.


Ainda que as exigências impostas pela cláusula de barreira definidas a partir da Emenda Constitucional 97/2017 sejam crescentes e estejam promovendo um enxugamento partidário, ainda há 15 partidos ou federações representados na Câmara dos Deputados. Neste pleito de 2026, a expectativa é de que os parlamentares eleitos se concentrem em três grandes partidos e federações – PL, a federação União Progressista e a federação PT-PV-PCdoB –, além de quatro ou no máximo cinco partidos ou federações com bancadas medianas, entre 30 e 50 parlamentares, que terão grande peso na formação das maiorias: PSD, Republicanos, MDB, Podemos e talvez a federação PSDB-Cidadania. As legendas que conquistarem menos de onze cadeiras, tenderão a se reorganizar em fusões para terem acesso ao Fundo Partidário, ao Fundo Eleitoral e ao tempo de antena.


Para além das dificuldades de o eleitor brasileiro acompanhar a vida congressual de seus deputados, e a amnésia é sintoma disso e deverá seguir em alta mesmo com o enxugamento partidário, essa tardia escolha do eleitor é impactada em níveis ainda não mensurados pelas dinâmicas algorítmicas de distribuição do conteúdo das candidaturas nos dias que antecedem o pleito. Com a crescente centralidade que assumem as plataformas digitais na distribuição da informação ao eleitor, são elas que, de véspera, assumem papel preponderante no impulsionamento de certas candidaturas.


Como não há transparência dos algoritmos, nesse quesito, as plataformas de tecnologia estrangeiras assumem considerável potencial para influenciar as eleições no país. O Brasil, que hoje já pode ser considerado um país colonizado digitalmente – mais da metade dos dados aqui gerados são processados em data centers estrangeiros – fica também refém da interferência das Big Techs nas dinâmicas eleitorais. São elas atores políticos globais com projeto político e interesses claros. Sem soberania digital, que não está sendo debatida nas eleições, a “colônia digital” seguirá com os problemas adicionais para as escolhas eleitorais, que estão além de um sistema partidário que segue muito fragmentado.


TCU

O ex-senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), tomou posse, nesta 4ª feira, 30, como ministro do Tribunal de Contas da União(TCU), assumindo a cadeira deixada por Bruno Dantas. Pacheco foi escolhido para uma das três cadeiras da Corte indicadas pelo Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), formalizou a indicação em 31 de agosto, no mesmo dia em que Dantas anunciou sua renúncia. O Senado aprovou o nome de Pacheco em 1º de setembro, por 63 votos a 4 e, no dia seguinte, a Câmara dos Deputados confirmou a escolha por 404 votos a favor, 61 contra e uma abstenção. Depois da conclusão do processo no Legislativo, o presidente Lula (PT) nomeou Pacheco para o TCU em 28 de setembro.

Mineiros

O TCU é formado por nove ministros, dos quais, três são escolhidos pela Câmara dos Deputados, três pelo Senado Federal e três pela Presidência da República. Atualmente, três ministros tiveram carreira política construída em Minas Gerais: além de Pacheco, o ex-governador Antonio Anastasia, empossado em fevereiro de 2022; e o ex-deputado federal Odair Cunha, que assumiu a cadeira em maio de 2026.


Reforma Tributária

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O Colegiado Nacional de Controle Externo do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CNCE-CGIBS) empossa o seu primeiro conselho diretor nesta quinta-feira, 1º, às 11h30. Ao mesmo tempo, será o início da fase operacional do modelo, que vai fiscalizar a entidade nacional responsável pela gestão do Imposto Sobre Bens e Serviços (IBS), tributo criado pela Reforma Tributária e compartilhado por estados, Distrito Federal e municípios. O colegiado, que tem onze cadeiras, será presidido pelo conselheiro do Tribunal de Contas do Espírito Santo, Domingos Augusto Taufner. São onze cadeiras, com representantes de 32 tribunais de contas do país. O conselheiro do TCE-MG, Agostinho Patrus, sera vice-presidente da região Sudeste.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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