Quando, em 1923, durante o 12º Congresso do Partido Comunista da União Soviética, Leon Trótski analisava as estatísticas e os gráficos que ilustravam o desequilíbrio econômico gerado pela Nova Política Econômica (NEP), cunhou o termo “Scissors Crisis” (Crise das Tesouras). Posteriormente, o termo foi absorvido pela teoria econômica mundial para descrever qualquer descompasso estrutural entre duas variáveis financeiras ou de mercado.
As linhas do gráfico registravam a evolução dos preços dos produtos do “campo” e dos industrializados da “cidade”. A agricultura se recuperou dos anos da guerra civil e ruína econômica, gerando uma grande oferta de grãos. Os preços dos produtos agrícolas despencaram. O setor industrial sofria com a falta de investimentos e baixa produtividade. A escassez elevou os preços dos produtos manufaturados. As duas curvas do gráfico, que saíram juntas no eixo de origem, se abriram de forma abrupta, à semelhança das lâminas de uma tesoura aberta.
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Tal era o desenho do impasse crítico para o regime soviético: os camponeses precisavam vender as suas safras barato para comprar produtos industriais caros. Alternativamente, começaram a reter (ou esconder) os grãos, recusando-se a negociar com as cidades, o que tinha potencial para levar à fome urbana e colapsar a aliança entre operários e camponeses (smychka), que sustentava a Revolução Soviética.
Gráficos são representações estatísticas que descrevem o comportamento de variáveis. Remetem a um problema, que sempre é de natureza política. No Brasil, quando a evolução das estatísticas de intenções de voto de dois candidatos se cruzam ao longo do tempo de uma campanha, jornalistas e analistas cunharam a expressão “o jacaré abriu a boca”. A metáfora descreve o formato visual gerado pelo cruzamento de duas linhas de intenção de voto de candidatos adversários em um gráfico temporal. Se no passado, as tendências depois de consolidadas, em geral se mantinham, no contexto da tecnopolítica, a disputa presidencial de 2026 ganha novo desenho. A disputa é acirrada, por um estreito nicho de eleitores independentes, ainda não posicionados. É grande a volatilidade.
Quando, em dezembro de 2025, Jair Bolsonaro anunciou a candidatura do primogênito, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o presidente Lula liderava as simulações de segundo turno com dez pontos percentuais em média. Entre janeiro e abril de 2026, contudo, a vantagem de Lula nas mesmas simulações encolheu: o governo federal lidava com o desgaste de indicadores econômicos sensíveis ao consumidor – custo de vista, preços de alimentos e serviços básicos –, o aperto das famílias com endividamento crescente. Politicamente, uma oposição ferrenha se articulava em torno da CPMI do INSS, tentando empurrar para o colo do governo Lula o escândalo, que foi iniciado no governo Michel Temer e atravessou os anos Jair Bolsonaro.
Por volta de abril, as simulações de segundo turno apontavam Flávio Bolsonaro em pequena vantagem numérica em relação a Lula, uma situação de empate técnico. O jacaré parecia abrir a boca para o bote. Mas, em maio, o escândalo “Dark Horse” veio a público, com os áudios de Flávio Bolsonaro enviados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, pedindo R$ 134 milhões para a produção da cinebiografia de Jair Bolsonaro. Flávio caiu, Lula voltou a crescer, abrindo em média sete pontos percentuais de vantagem. Mas o início da propaganda eleitoral, o acirramento da polarização e a crise do Supremo Tribunal Federal (STF) não favoreceram Lula. As linhas ameaçam se inverter novamente. Contudo, com tantas revelações, entre as quais, a de que Flávio Bolsonaro, por autorização de André Mendonça, é investigado pela Polícia Federal desde julho, até a votação final de segundo turno, tudo indica que o jacaré ainda brincará com a presa, antes do giro da morte.
Damião e Aécio
O prefeito Álvaro Damião (União) declarou apoio à candidatura do deputado federal Aécio Neves (PSDB) ao Senado. “Aécio vai me dar o que vocês querem de mim e o povo da cidade quer de mim. Precisamos ter pessoa que me ajuda em Brasília para destravar os processos da capital”, disse. “O dinheiro só vai chegar aqui se eu tiver parceiro como Aécio em Brasília”, afirmou.
Eleição MPMG
O promotor de justiça Carlos Eduardo Ferreira Pinto está em campanha para compor a lista tríplice ao cargo de procurador-geral de Justiça. Ele lançou a candidatura, que chamou de “Movimento 127”, em restaurante da zona sul de BH, nesta terça-feira, 15, reunindo procuradores. Carlos Eduardo afirmou, em discurso, que escolheu o artigo 127 da Constituição como plataforma que representa a identidade, a essência, o DNA do Ministério Público. A campanha de Carlos Eduardo está estrutura em torno de sete temas centrais: representar, comunicar, valorizar, estruturar, movimentar, potencializar e enfrentar.
Reeleição
A eleição interna para a formação da lista tríplice ao cargo de procurador-geral de Justiça do MPMG (biênio 2027/2028) será realizada em novembro de 2026. Empossado em dezembro de 2024, o atual procurador-geral de Justiça, Paulo de Tarso Morais Filho, também concorrerá. O mandato dele se encerra em dezembro de 2026.
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Posse
Promovido por antiguidade ao cargo de procurador de justiça, o promotor Leonardo Castelo Branco será empossado nesta quinta-feira, 17. Mestre em Direito pela Faculdade Milton Campos (2008), Leonardo é pós-graduado com especialização em ciências penais pelo Centro Universitário de Belo Horizonte – UNA (2001) e graduado em Direito pela Faculdade Cândido Mendes (1993). Natural do Rio de Janeiro, Leonardo fez carreira em Minas Gerais, tendo atuado por 28 anos como promotor de justiça. Destacou-se à frente da Promotoria de Tóxicos, em Belo Horizonte.
