A disputa de vida ou morte entre os pré-candidatos ao Senado Marcelo Aro (PP) e o senador Carlos Viana (PSD) chegou à cúpula nacional da Federação União Progressista. Algumas estratégias foram elaboradas para ampliar a pressão sobre o governador Mateus Simões (PSD) – de quem é esperado que lance o senador Viana às águas habitadas pelos tubarões-cabeça-chata (Carcharhinus leucas), que com seus elevados níveis de testosterona são conhecidos por seu comportamento agressivo e territorialista.
Em reunião com os presidentes nacionais do PP, senador Ciro Nogueira (PI), e do União, Antonio Rueda, Aro expôs a situação que considera “problemática”: uma vez filiado ao PSD do governador Mateus Simões, o senador Carlos Viana passou a ameaçar o sucesso eleitoral de ambos. Viana e Aro concorrem pelo segundo voto do bolsonarismo. Antes de migrar para o PSD a convite da cúpula estadual e nacional da legenda, Viana estava filiado ao Podemos, partido controlado por Marcelo Aro em Minas Gerais. A perspectiva de Aro era de não dar legenda a Viana, deixando-o vagar em busca de pouso, o que, supôs, ocorreria no máximo em uma legenda muito pequena.
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Mas o desempenho de Viana à frente da CPMI do INSS chamou a atenção do governador. Viana trouxe ao centro da ribalta as denúncias contra o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos), aliado de primeira hora do senador Cleitinho (Republicanos). E tudo o que pode atingir Cleitinho, favorece ao governador, que com ele disputa o campo da direita no estado. Além disso, trazer um concorrente de Aro à chapa majoritária foi uma forma de o PSD comunicar a insatisfação política com Aro: enquanto secretário de estado de Governo, ele firmou centenas de convênios com repasses de recursos do estado às prefeituras, acompanhados de pedido do primeiro ou do segundo voto à sua candidatura ao Senado. Nesses acordos de Aro com prefeitos, não havia, segundo líderes do PSD, menção ao então vice-governador Mateus Simões, que assumiu o governo em março deste ano e agora concorre à reeleição. Por fim, para as cúpulas estadual e nacional do PSD, a filiação do senador também reforça a legenda, o que é bom para a chapa proporcional à Câmara dos Deputados. As lideranças do PSD entenderam que, como são duas indicações ao Senado na chapa majoritária, há espaço para Aro e Carlos Viana.
Aro não fez segredo: declarou guerra a Carlos Viana no mesmo dia da filiação. E até aqui, a poucos dias das convenções partidárias, ainda não alcançou o seu objetivo. Carlos Viana sobrevive e tem o apoio da cúpula nacional e estadual do PSD, que não pretende lançá-lo ao mar. Como não tem poder de pressão sobre a direção do PSD, Aro mira em Mateus Simões, que já reiterou que o seu apoio a Aro antecede o apoio a Viana. O governador segue reiterando que tem o compromisso e o testemunho dos deputados federais do PP e do União em apoiá-lo. “Não vejo nenhuma perspectiva de mudança do acordo que eles têm comigo há mais de um ano”, afirma Mateus Simões.
Em meio a deputados federais que se dividem entre compromissos já firmados com Mateus Simões e a lealdade a Marcelo Aro, durante a reunião Antonio Rueda deixou a todos a reflexão: em vez de concorrer ao Senado, por que Marcelo Aro não disputa o governo de Minas? Com 20% do tempo de antena e boa capilaridade no estado, tal candidatura foi apontada como interessante para o desempenho da federação nas eleições proporcionais. Sem a federação em sua coligação, Mateus Simões teria recursos proporcionais ao tamanho do PSD – que é muito similar ao do MDB, inferior ao do PL e da Federação PT-PV-PcdoB. Outra demanda foi apresentada: a de que a coordenação da Federação União Progressista em Minas, prometida ao prefeito Álvaro Damião (União), seja entregue a Marcelo Aro ou a um dos parlamentares das legendas envolvidos nas articulações para a composição das chapas e discussões sobre coligações. Esse seria um movimento que interessa de perto a Marcelo Aro, que, com o comando da federação, reuniria mais poder de pressão sobre Mateus Simões, inclusive a ameaça de deixar de apoiá-lo para migrar para o campo da pré-candidatura do senador Cleitinho (Republicanos).
MDB
Em postagem nas redes sociais, o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, o presidente estadual, Newton Cardoso Junior, e o pré-candidato do partido ao governo de Minas, Gabriel Azevedo, fizeram troça de informações falsas que circularam afirmando que Gabriel seria vice na chapa de Mateus Simões (PSD). “Nossa candidatura é sólida, temos um projeto para Minas, um programa de governo que foi lançado nesta quarta-feira, 15. Muitos nos querem como vice, mas querer não é poder”, afirma Gabriel, que é presidente municipal do partido.
Viana fica
Com a convenção estadual do PSD marcada para 2 de Agosto, lideranças do partido reiteram: o senador Carlos Viana seguirá candidato ao Senado.
Mangabeiras
A diretora-presidente da Codemge, Luísa Barreto, apresentou à Comissão de Cultura da Assembleia a relação dos itens que compunham o acervo do Palácio das Mangabeiras até 2019. A Codemge é o órgão responsável pela atual gestão do patrimônio. A audiência pública foi realizada nesta quinta, 16, a pedido do deputado Leleco Pimentel (PT), após visita, no dia 2 de julho, que constatou ausência de alguns itens na ex-residência oficial dos governadores mineiros, entre mobiliários e obras de artes. É importante ressaltar que bens de consumo, como talheres, não são inventariados pelo Estado. Alguns itens estão em exposição e outros foram leiloados como bens inservíveis. Também é preciso dizer que o Palácio não é tombado pelo Patrimônio Histórico, embora este processo esteja em andamento desde 2018”, afirmou Luísa Barreto.
Proteção aos dados
O cidadão tem o direito de não informar seus dados na presença de outras pessoas, quando solicitados por órgãos públicos ou empresas privadas em situações como venda de produtos, entregas e prestação de serviços. Este é o teor da Lei 25.980, publicada no Diário Oficial Minas Gerais desta quinta-feira, 16. A norma teve origem no Projeto de Lei (PL) 3.913/22, do deputado Charles Santos (Republicanos), aprovado em votação final na Assembleia, em junho passado.
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