De indicação da Assembleia Legislativa, seis deputados estaduais seguem na disputa interna para a terceira vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Em decorrência da pulverização dos apoios, nenhum deles alcança hoje 39 votos necessários para a vitória em primeiro turno. Possíveis alianças entre concorrentes em primeiro turno passam a ser cogitadas como forma de se afunilar a disputa.
Nas eleições internas em 2025 e em março de 2026 para as duas primeiras das três vagas abertas com as aposentadorias dos conselheiros Wanderley Ávila e José Alves Viana – ambos em 2024 – e de Mauri Torres – em abril de 2025– , o presidente da Casa, Tadeu Leite (MDB), aguardou a construção de convergências antes de prosseguir com o processo interno de eleição. Dessa forma, evitou que o confronto entre deputados candidatos em plenário deixasse sequelas no relacionamento entre “derrotados” que seguem na Casa convivendo diariamente com os colegas que não os escolheram.
Em princípio, eram oito colocados para a primeira vaga. Tito Torres (PSD), Ione Pinheiro (União), Thiago Cotta (PDT), Sargento Rodrigues (PL), Ulysses Gomes (PT), dr. Wilson Batista (PSD), Arnaldo Silva (União Brasil) e Gustavo Valadares (PSD). Na disputa para a segunda vaga, Arnaldo Silva (União Brasil) e Gustavo Valadares (PSD) não se inscreveram. Os outros seis candidatos procuraram Tadeu Leite com a solicitação de que ele antecipasse a sua manifestação de interesse esperada para a terceira vaga. Tadeu Leite foi o nome de convergência, em torno de quem todos retiraram as respectivas candidaturas.
Para a disputa da terceira vaga, seguem no jogo, com maior ou menor intensidade de movimentos, os mesmos seis parlamentares colocados para a segunda vaga. A tendência é de que eles passem a se organizar em alianças ou blocos, já que nenhum deles tem isoladamente os votos necessários. Em que pese apoiadores do deputado estadual Thiago Cotta, em particular João Magalhães (MDB), líder do governo na Assembleia, circulem com a informação de que o parlamentar já teria os votos, não é essa a avaliação entre observadores que acompanham a disputa de perto. Tampouco entre os demais concorrentes. Exatamente por isso, interlocutores de Tadeu Leite consideram que ele aguarda a decantação do conflito para prosseguir com o processo interno.
Entre as seis candidaturas colocadas, Ione Pinheiro é a única mulher da história legislativa a concorrer internamente – o que se soma ao fato de o pleno do Tribunal de Contas do Estado (TCE) ter sete conselheiros homens. Isso lhe dá, em princípio, vantagem para aglutinar apoios. Desde a fundação da Corte de Contas, em 1935, apenas uma mulher foi empossada entre os 52 conselheiros titulares que tiveram ou têm assento. Adriene Barbosa de Faria Andrade foi indicada em 2006 pelo então governador Aécio Neves (PSDB).
Portanto, a iniciativa partiu do Executivo: ela era casada com o então vice-governador Clésio Andrade, no contexto em que Aécio Neves decidiu substituir em sua chapa à reeleição de 2026 Clésio por Antonio Anastasia. Adriene foi a primeira prefeita de Três Pontas, a primeira mulher a presidir a Associação Mineira de Municípios (AMM) e, como conselheira, comandou o TCE entre 2013 e 2015. Faleceu em 2018.
A Assembleia Legislativa dá mostras de tentar sinalizar para a sociedade com a perspectiva de valorização da participação das parlamentares em espaços de poder – e nesse sentido a vice-presidente Leninha (PT) é um exemplo disso. Mas, neste momento, está diante de um impasse: ou escreverá a história com a primeira eleição para o TCE de uma mulher; ou poderá se manter nos registros com o Legislativo que, em 2026, indicou três homens para as três vagas da Corte de Contas, em detrimento da única mulher candidata. Eis o dilema: seguirá o TCE um “clube do Bolinha”, como espelho de si ou o Legislativo permitirá que ele finalmente reflita a pluralidade da sociedade que tem o dever de fiscalizar?
Nas palavras de Hannah Arendt: “O mundo comum acaba quando é visto apenas sob um aspecto; ele só existe na diversidade de suas perspectivas”.
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Dia da Europa
Neste momento em que se intensifica o diálogo entre a União Europeia e o Mercosul, ampliando perspectivas de intercâmbio entre as regiões, o Corpo Consular da União Europeia promoveu no Palácio da Liberdade, nesta segunda-feira, recepção institucional para destacar a relação histórica e contemporânea entre a Europa e Minas Gerais. Participaram da iniciativa as representações de Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Itália, Países Baixos, Portugal e Suécia, com apoio da Delegação da União Europeia no Brasil e do Governo do Estado de Minas Gerais.
Agenda
O encontro no Palácio da Liberdade reuniu autoridades, representantes diplomáticos e parceiros estratégicos, constituindo o ponto alto de uma agenda mais ampla do Corpo Consular Europeu em Minas Gerais, que inclui encontros com universidades e atores econômicos locais, reforçando conexões institucionais e o intercâmbio de conhecimento.
Segurança
A Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realiza nesta terça-feira, 12, nova audiência pública para aprofundar a análise sobre a destinação de recursos do Tesouro Estadual para a segurança pública entre 2019 e 2026. O debate foi solicitado pelo presidente da comissão, deputado Sargento Rodrigues (PL), após avaliação de que informações apresentadas anteriormente pelo governo do estado ainda não esclareceram como os recursos foram aplicados em custeio e investimento nos órgãos da área.
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Números
Dados apresentados pela Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) em audiência realizada pela Assembleia em 16 de abril, entre 2019 e 2026 o Tesouro Estadual financiou cerca de R$ 11,4 bilhões das despesas com custeio e capital da segurança pública mineira, desconsiderados os gastos com pessoal. O valor corresponde a aproximadamente 63% do total de recursos aplicados na manutenção e expansão da área no período. Outras fontes de financiamento incluem transferências federais e captações externas, recursos vinculados ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), receita diretamente arrecadada, valores dos acordos de Brumadinho e Mariana, emendas parlamentares estaduais e outras receitas vinculadas. Somadas todas as fontes, os investimentos na área de segurança pública passaram de R$ 1,3 bilhão em 2019 para R$ 3,5 bilhões em 2026, alcançando quase R$ 17 bilhões ao longo de sete anos, informou a Seplag.
