O PL em Minas caminha, neste momento, para a consolidação ao governo de Minas da pré-candidatura de Flávio Roscoe, presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Diante do cenário nacional que se desenha de menor probabilidade para a composição do ex-governador Romeu Zema (Novo) como vice na chapa ao Planalto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a hipótese de aliança no primeiro turno em torno da candidatura à reeleição do governador Mateus Simões (PSD) fica mais distante.
A tendência é de que o PL trabalhe a convergência política com o senador Cleitinho (Republicanos), líder das pesquisas de intenção de voto. Há um grupo de políticos do campo bolsonarista e de empresários simpatizantes de Cleitinho e de Flávio Roscoe que estão convencidos de que as condições fiscais do estado de Minas Gerais são muito precárias e, por isso, é grande a chance de que o futuro governador vá lidar com limitações orçamentárias que irão lhe impor desgastes políticos.
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Para além do déficit orçamentário previsto no orçamento de Minas de 2026 de R$ 5,2 bilhões, esse grupo pretende apresentar a Cleitinho o Raio X dos problemas de caixa e demandas por investimentos no estado. Além da infraestrutura precária e de um rol de reivindicações justas por recomposição salarial do funcionalismo, o estado acaba de aderir ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas de Estados (Propag). Diferentemente dos seis primeiros anos de mandato de Romeu Zema, o futuro governador não terá a “mão amiga” do Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender o pagamento das parcelas contratuais da dívida renegociada com a União. Zema também contou com recursos extraordinários que decorreram das tragédias de Brumadinho e de Mariana.
Foi esse raciocínio que levou o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) a adiar o seu projeto de concorrer ao governo de Minas. A mesma lógica vai ser apresentada a Cleitinho, com o apelo para que fortaleça e integre o grupo político que se organiza em torno de Flávio Roscoe, um empresário que não tem por meta trilhar uma carreira política e, nesse sentido, estaria disposto a assumir o ônus político de administrar o estado nessas condições. O apoio de Cleitinho é considerado fundamental a esse projeto. Em contrapartida, será oferecido a ele apoio para a sua reeleição ao Senado Federal em 2030.
Esse é um lance de aposta em aberto. Cleitinho ainda não se posicionou. Em alguns momentos sinaliza que a sua candidatura é irreversível porque representa a vontade popular e, em outros, recua. Há mais de um ano o atual governador Mateus Simões tenta convencer Cleitinho a desistir de concorrer para apoiá-lo. Para Mateus, a sucessão estadual com Cleitinho à sua direita é algo próximo a uma sentença de morte eleitoral, caso o campo lulista apresente uma candidatura competitiva. Mateus Simões não conseguiu o seu objetivo.
O que muda agora, acreditam os novos interlocutores que pregam a “unidade” do campo bolsonarista, é a qualidade da interlocução com o senador. Flávio Roscoe é considerado por Cleitinho um aliado respeitoso. Em direção contrária, o governador já fez críticas ao senador numa tentativa de desqualificar a sua capacidade de gestão. Mateus também elevou o tom para atacar o partido do senador: afirmou que o Republicanos deveria se preocupar mais em “explicar escândalos” de seus dirigentes do que em administrar o estado.
No PL há hoje duas correntes políticas majoritárias que sustentam, de um lado a candidatura própria e, do outro, o apoio a Cleitinho. Um terceiro caminho, o apoio a Mateus Simões, perde força pelo momento: Romeu Zema e Flávio Bolsonaro estão em raias paralelas na corrida presidencial; Mateus apoia Zema o que, por desdobramento, deixa Flávio Bolsonaro sem palanque forte em Minas.
PEC da Essencialidade
A cúpula do Tribunal de Contas do Estado (TCE) acompanhou nesta terça-feira, 05, sessão do Congresso Nacional para a promulgação da PEC 139/2026, que reconhece os tribunais de contas dos estados, do Distrito Federal e dos municípios como órgãos permanentes e essenciais ao controle externo da administração pública. Participaram o presidente Durval Ângelo, o vice-presidente Agostinho Patrus, conselheiros e procuradores do Ministério Público de Contas. A emenda constitucional reposiciona os Tribunais de Contas no desenho do Estado brasileiro. Conhecida como PEC da Essencialidade, a proposta teve origem na PEC 2/2017, apresentada pelo ex-presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE).
Em maio
O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) irá definir até o final deste mês de maio se irá concorrer ao governo de Minas.
Troca de comando
As comissões provisórias estaduais do PL atualmente comandadas por candidatos ao governo ou ao Senado Federal terão troca de comando em 11 de maio. Em Minas Gerais, o deputado federal Zé Vítor irá assumir a legenda em substituição ao deputado federal Domingos Sávio, pré-candidato ao Senado Federal.
Aberração
O ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, considerou, em evento com pré-candidatos ao governo de Minas na Associação Mineira dos Municípios (AMM) uma aberração o fato de o estado transferir para os municípios gastos de sua responsabilidade como gasolina para viaturas policiais, pagamento de aluguel das instalações de postos de saúde, cessão de servidores e estagiários, entre outras situações. “Isso se chama abandono. É o retrato do descaso”.
Federalização de Minas
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Ao considerar as contas pagas pelas prefeituras de responsabilidade do estado, o ex-presidente da Câmara Municipal, Gabriel Azevedo, pré-candidato do MDB ao governo de Minas, defendeu um novo pacto federativo no estado. “Vamos fazer um levantamento claro e objetivo, município por município, de quais são os gastos do estado que estão assumindo. Vamos criar o pacto estadual da federalização de Minas, compreendendo competências que têm de ser distribuídas. Com essa mapa, vamos estabelecer os mecanismos de compensação”, afirmou.
