As pesquisas de intenção de voto cumprem uma função particular neste momento em que estão abertas as janelas de oportunidades para as migrações partidárias: ajudam os atores mais pragmáticos do que ideológicos a lançarem as suas apostas. Em cenário de incerteza, com o incumbente e o desafiante em situação de empate técnico – e o país dividido entre rejeições – para o União, o PP, o MDB e o PSD – que nesse contexto lança o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite – a melhor aposta é a neutralidade.

Evitam se posicionar nacionalmente com Lula (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL). Por um lado, isso significa que o tempo de antena dessas legendas não será destinado na disputa nacional a nenhum dos polos. Por outro lado, em cada estado, as lideranças partidárias estarão livres para, individualmente, fazer as escolhas políticas, segundo a conveniência local. Em alguns estados, apoiarão Lula; em outros, Flávio Bolsonaro. Irão se envolver nas campanhas e tomar lado, ali negociando pacotes de material de propaganda também com as campanhas aos governos dos estados. Mas são escolhas não amarradas a ideologias.

Partidos do centro e do Centrão têm, neste momento, um único objetivo: eleger deputados federais. Ter bancadas robustas na Câmara dos Deputados é mais importante do que eleger governadores e presidentes. Querem acesso aos recursos públicos. A distribuição do Fundo Partidário atingiu R$ 1,126 bilhão em 2025, um aumento de 2,4% em relação 2024, quando o montante chegou a R$ 1,099 bilhão.

A bolada destinada ao financiamento de partidos foi dividida entre os diretórios nacionais de 19 legendas que superaram a cláusula de barreira nas eleições de 2022. Em 2025, o Partido Liberal (PL) abocanhou R$ 192,2 milhões; o PT arrebanhou R$ 140,5 milhões; o União Brasil, R$ 107 milhões; o Republicanos, R$ 87,7 milhões; o Partido Social Democrático (PSD), R$ 84,2 milhões; o MDB, R$ 82 milhões; e o PP, R$ 71,2 milhões. Essas sete maiores legendas no Congresso Nacional ficaram com quase 70% dos recursos do fundo partidário. A menor bancada que passou a cláusula de barreira, o Partido Verde (PV), teve acesso a R$ 11,8 milhões.

São volumes robustos. Neste ano de eleições gerais, ao fundo partidário soma-se o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), popularmente conhecido como Fundo Eleitoral, fixado em R$ 4,9 bilhões. Os fartos bilhões são repartidos proporcionalmente ao peso das bancadas federais das legendas que superarem a cláusula de barreira. E neste pleito de 2026, o sarrafo subiu para 2,5% dos votos válidos ou a conquista de no mínimo 13 cadeiras. Ficar abaixo desta linha significa a míngua pelos próximos quatro anos. Pular acima dela, acesso aos fundos de financiamento público e ao tempo de propaganda partidária e eleitoral.

Se partidos querem muitos deputados federais para aceder a recursos públicos, parlamentares miram as emendas impositivas e de bancadas. Por tudo isso, partidos pragmáticos – ainda que com as suas preferências políticas – têm pouca disposição para entrar no ringue em que peleiam lulistas e bolsonaristas. E deputados têm pouca disposição para concorrer aos governos de estado. Preferem lançar-se para as prefeituras, no meio do mandato, porque em caso de derrota, têm para onde retornar. A vida é mais tranquila no parlamento: menos cobrança, menos fiscalização, viagens de representação a rodo, contratações em gabinetes em Brasília e no estado. Desse casamento de interesses, há ainda o bônus: independentemente do lado vencedor – se Lula ou Flávio Bolsonaro – haverá espaço para a composição com o governo federal, pela indicação de posições vantajosas aos parlamentares nas representações dos órgãos federais dos estados. A governabilidade passa, necessariamente, por esses partidos.

 


Rejeição

O governador Romeu Zema (Novo) alcança rejeição de 40% dos eleitores bolsonaristas do país. Já entre eleitores lulistas, 35% não votariam nele de forma alguma. Os dados são da mais recente pesquisa Genial Quaest.

 

No PSB

O “pool” de ex-prefeitos e lideranças municipais, que buscou coletivamente um novo partido para a filiação decidiu-se, finalmente, pelo PSB. Juntos, têm expectativa de alcançar 300 mil votos, com potencial para garantir uma vaga no quociente partidário e uma segunda pelo sistema de médias. Os novos “socialistas” são Duarte Júnior, ex-prefeito de Mariana e ex-deputado federal; Duílio de Castro, ex-prefeito de Sete Lagoas e ex-deputado federal; Julvan Lacerda, ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM); Kátia Dias, ex-deputada federal e irmã do deputado estadual Noraldino Júnior; Laércio Cintra, ex-prefeito de Guaranésia; Luís Fernando, ex-prefeito de Itamarandiba; Neider Moreira, ex-prefeito de Itaúna e ex-deputado estadual; Renato Andrade, ex-deputado federal; e Beto Guimarães, ex-prefeito de São José do Goiabal.

 

Representação

O PSB de Minas não tem hoje nenhum deputado federal. Com esse movimento, o presidente estadual da legenda e prefeito de Conceição do Mato Dentro, Otacilinho, dá passos na estratégia nacional do prefeito de Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, para superar a cláusula de barreira. O coletivo de lideranças municipais rodou vários partidos avaliando o destino mais favorável ao projeto.


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Salas de cuidado

Em iniciativa inédita no país, a UFMG inaugurou 21 fraldários e cinco Salas de Cuidados Parentais, direcionadas às necessidades materno e paterno-infantis de estudantes que sejam mães ou pais de crianças e que estejam regularmente matriculados na universidade. Até julho, serão construídos mais 10 fraldários e mais uma sala de cuidado parental. O projeto é uma iniciativa da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE/UFMG) e é apoiado com recursos de emenda parlamentar da deputada federal Dandara (PT). A iniciativa é inédita em todo o Brasil. “Essas salas de acolhimento representam a integralidade da política do cuidado na universidade. Mães solo universitárias no Brasil enfrentam a tripla jornada de estudos, trabalho e cuidados com os filhos e representam cerca de 12% (1,3 milhão) do total de mães solo, e 25% dessas mulheres são negras”, considera Dandara.

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