Mudanças na dieta e no estilo de vida podem aumentar as chances de gravidez -  (crédito: Freepik)

Gravidez na adolescência

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É comum ouvir pais dizendo que não querem que os filhos tenham aula de educação sexual nas escolas. Eles argumentam que isso é papel da família. Sim, pode ser papel da família, mas uma coisa não exclui a outra. Perfeito se a criança puder ser orientada em casa e na escola. Educação sexual não sexualiza, pelo contrário, protege crianças e adolescentes de abusos sexuais e evita que aprendam sobre sexo de forma distorcida.

 

Aos 8 anos, muitas crianças já têm tido acesso à pornografia na internet. Basta você deixar um celular com uma criança, sem usar um aplicativo de controle de pais, e sem acompanhar o que ela está acessando ali que não só ela pode acessar pornografia com um clique, como também pode se tornar vítima de criminosos pedófilos que sabem como abordar crianças e adolescentes nas mídias sociais. Eles se apresentam com perfis falsos, como se tivessem a mesma idade da vítima. Eles sabem manipular.

 

 

Aos 8 anos, algumas meninas já estão grávidas. Só em 2023 mais de 12 mil meninas entre 8 e 14 anos foram mães no Brasil. Todas elas foram estupradas, todas elas tiveram filho fruto de estupro. Todas elas teriam direito ao aborto legal, mas não tiveram acesso. O Art. 217-A do Código Penal diz que qualquer prática sexual ou a prática de outros atos libidinosos, ainda que consentidos, com menor de 14 anos é considerado estupro de vulnerável. Essas meninas engravidam sem nem saber como se engravida, não aprenderam. Todas elas teriam direito ao aborto legal, mas não tiveram acesso. Provavelmente, elas nem sabiam que o que estavam fazendo com elas era sexo. Essas meninas não aprenderam na escola, mas aprenderam em casa, só que não na teoria, aprenderam na prática! Aprenderam sendo abusadas sexualmente. Mais de 80% dos casos de estupro acontecem com pessoas conhecidas e 44,4% desses crimes são praticados pelos próprios pais ou padrastos. Essa é a educação sexual que tem sido aplicada pelas famílias.

 

 

Quem se favorece quando crianças não têm aula de educação sexual nas escolas são os estupradores. Quando a criança aprende educação sexual desde pequena, aos poucos, de acordo com a idade, ela sabe que não podem tocar em suas partes íntimas desde muito cedo. Elas aprendem sobre consentimento. Elas sabem que determinados carinhos não são carinho. Elas sabem que é errado e sabem em quem confiar para contar o que está acontecendo. Seria ótimo se as famílias conversassem abertamente sobre isso, mas o que vemos são homens se aproveitando da falta de diálogo e da falta de conhecimento de suas vítimas. Mulheres também praticam esse tipo de crime, mas o número é muitíssimo inferior.

 

O Atlas da Violência apontou que, no Brasil, em 2022, as agressões sexuais foram o tipo de violência mais recorrente registrada contra meninas de 10 a 14 anos. Num país onde meninas de 10 anos têm filhos, depois de anos sendo estupradas, é fundamental que se explique o que é o ato sexual, e que adulto não pode fazer isso com criança. Nem com outro adulto se ele não quiser. Proibir a educação sexual nas escolas só protege o abusador! Proibir a educação sexual nas escolas mantém as crianças vulneráveis. Se você é contra a educação sexual nas escolas você está sendo conivente com estupradores.