Gosto muito de café e bebo vários ao longo do dia. Não tomo xícaras inteiras, vou bebericando esse líquido delicioso e posso fazê-lo à noite, pois não atrapalha o meu sono. Porém, estudos apontam que a mesma cafeína que nos ajuda a ficar concentrados durante o dia faz com que seja mais difícil descansar completamente à noite.
Para mim e muitas pessoas, o dia só começa oficialmente depois da primeira xícara de café ou chá. Revisão publicada na revista Nutrients constatou que a cafeína ajuda consistentemente o cérebro a manter o foco e acelera o processamento de informações importantes.
Leia Mais
Seus efeitos foram pequenos e inconsistentes para quem estava bem descansado, com os maiores benefícios observados em pessoas fatigadas, que precisavam se concentrar ou com muitas tarefas a realizar. A mesma cafeína que ajudava as pessoas a se manterem concentradas durante o dia também dificultava o descanso completo à noite.
O estudo mostrou que a cafeína reduz a atividade cerebral associada ao sono profundo e reparador, ao mesmo tempo em que aumentou a atividade relacionada ao estado de maior alerta. Esses efeitos foram mais evidentes nas primeiras horas de sono, período em que o sono reparador ocorre.
A cafeína bloqueia a ligação da adenosina com seus receptores. Enquanto permanecemos acordados, a adenosina se acumula gradualmente no cérebro, causando sonolência e aumentando a necessidade do sono profundo e reparador. A substância também reduz a atividade dos neurônios que promovem a vigília.
No entanto, quando a cafeína bloqueia os receptores de adenosina, ela neutraliza esses sinais, reduzindo a necessidade do cérebro de entrar em sono reparador.
Os efeitos da cafeína variam de acordo com metabolismo, genética, idade e regularidade do consumo de cada pessoa. Adolescentes podem ser mais suscetíveis aos efeitos da substância: aqueles que consumiram cerca de 80mg de cafeína (quantidade presente em uma pequena bebida energética), quatro horas antes de dormir, apresentaram redução significativa no sono profundo e reparador.
Pesquisadores descobriram que a cafeína e seus metabólitos, que também promovem o estado de vigília, podem persistir no corpo por oito a 10 horas. Um estudo constatou que 200mg de cafeína consumidos apenas 10 minutos após acordar alteraram a atividade cerebral relacionada ao sono.
A persistência da cafeína no organismo pode ser relevante para pessoas que a consomem ao longo do dia, porque sua ingestão repetida mantém os níveis desta substância e de seus metabólitos elevados durante a noite.
Embora usuários sentissem que haviam desenvolvido tolerância e relatassem pouca ou nenhuma perturbação no sono, os registros de eletroencefalogramas frequentemente contavam história diferente, revelando sinais de sono mais leve e menos reparador.
Os pesquisadores não têm a intenção de aconselhar a evitar a cafeína completamente. Em vez disso, sugerem atenção para a quantidade consumida, porque isso pode influenciar o sono.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
* Isabela Teixeira da Costa/Interina
