Ser uma boa pessoa nem sempre é suficiente para construir um casamento feliz ou um relacionamento saudável. Especialistas em saúde mental explicam o porquê.

De acordo com eles, um dos maiores mitos sobre relacionamentos é que se ambos forem bons, o casamento dará certo. Mas, às vezes, duas pessoas maravilhosas simplesmente não formam parceria satisfatória.

Ser uma boa pessoa e ser um bom parceiro exigem habilidades diferentes. Gentileza, honestidade e generosidade são traços de caráter, enquanto compatibilidade, comunicação e sintonia emocional são habilidades relacionais. Um casamento pode ter duas pessoas decentes e bem-intencionadas, mas incompatíveis na forma como lidam com conflitos, expressam afeto ou necessitam de conexão.

Por que pessoas boas não formam bons casais? Pessoas boas evitam atritos desnecessários, evitam confrontos e reprimem ressentimentos para preservar a harmonia. Ao longo dos anos, necessidades não expressas se acumulam, resultando no distanciamento em vez da ruptura dramática.

Não são as brigas que corroem o casamento, mas, sim, a ausência de discussões honestas em quantidade suficiente.

Existem diferentes linguagens de amor. Cada pessoa tem a sua. Quando elas não são as mesmas, um dá o amor como ele gostaria de receber, mas o outro não entende, porque sua linguagem é outra.

Por exemplo: se a sua linguagem de amor é presentear, mas a de seu parceiro é tempo de qualidade, se você der um presente, ele vai gostar, mas não entenderá isso como declaração de amor. E vocês passam anos sem perceber que têm linguagens emocionais diferentes.

Para ajudar o leitor a compreender esse processo, as linguagens de amor são: palavras de afirmação; tempo de qualidade; receber presentes; atos de serviço; e, finalmente, toque físico. Descubra qual é a sua linguagem e a do outro.

Duas pessoas boas podem ter regras diferentes sobre como o casamento deve ser, regras herdadas dos casamentos de seus pais, sem nunca terem trocado ideias explicitamente sobre a questão antes da cerimônia.

Um parceiro pode ter crescido em uma casa onde divergências eram expressas em voz alta e resolvidas em menos de uma hora. O outro pode ter crescido em uma casa onde conflitos nunca eram verbalizados, administrava-se a tensão por meio do afastamento, e a harmonia era mantida evitando-se mencionar o problema.

Nenhum dos dois padrões é melhor ou mais saudável. Mas quando essas duas pessoas se casam, uma interpreta o silêncio como sinal de que o relacionamento está bem, enquanto a outra o interpreta como sinal de que algo está profundamente errado. Ambos estão reagindo racionalmente, seguindo regras diferentes, e isso pode causar muitos atritos.

Em bom português, o fundamental para um relacionamento saudável é o diálogo sempre, em qualquer situação – sincero e direto. É procurar conhecer a outra pessoa, saber do que ela gosta e se mostrar para que ela também te conheça.

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* Isabela Teixeira da Costa/Interina

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