Um grande estudo de 13 anos com trabalhadores americanos descobriu que quem está em home-office passa mais tempo completamente sozinho, apresenta mais sofrimento psicológico e busca tratamento de saúde mental com mais frequência do que colegas que trabalham presencialmente.

Apesar de várias pesquisas mostrarem que as pessoas preferem trabalhar remotamente, o estudo aponta que elas não percebem os custos do home-office para seu bem-estar. Esses problemas podem levar tempo para serem acumulados, mas causam grande estrago.

As conclusões foram publicadas na revista Science. Analisaram-se dados de cinco pesquisas com 588 mil trabalhadores americanos, realizadas entre 2011 e 2024, excluindo 2020/21, por causa da COVID-19. Os efeitos observados não são simplesmente anomalia da era da pandemia, mas parte de mudança estrutural mais ampla.

O isolamento está cobrando seu preço. Aqueles que trabalham remotamente apresentaram aproximadamente o dobro de sofrimento psicológico em comparação com trabalhadores que não estão em home-office.

Adeptos do trabalho remoto passaram cerca de uma hora a mais sozinhos durante cada dia de serviço após o início da pandemia, socializaram menos fora do expediente e relataram mais dias em completo isolamento.

Esses trabalhadores revelaram crescentes sentimentos de inutilidade, desesperança, nervosismo e tristeza. Apresentaram maior probabilidade de buscar serviços de saúde mental e medicamentos para ansiedade ou depressão.

Pesquisadores estimam que o trabalho remoto seja responsável por cerca de um terço do aumento geral dos problemas de saúde mental observados desde antes da pandemia.

A neuropsicóloga Sanam Hafeez, diretora da organização Comprehend the Mind, de Nova York, identificou quatro grupos mais vulneráveis: pessoas que moram sozinhas ou têm pouco apoio social; funcionários mais jovens ou no início de carreira que não têm mentoria e relacionamentos no local de trabalho; pessoas com ansiedade, depressão ou forte necessidade de interação social; e pessoas que têm dificuldade em estabelecer limites entre a vida profissional e a vida pessoal.

Ir fisicamente ao trabalho é importante, pois a pessoa fica rodeada por colegas e tem a chance de fazer amigos. O trabalho remoto aumenta o isolamento e dificulta a manutenção de limites, eliminando as barreiras físicas e visuais que separam o trabalho da vida pessoal.

Quando o escritório é a sua casa, as linhas entre “em horário de trabalho” e “fora de trabalho” podem desaparecer facilmente. Isso dificulta a transição do modo de trabalho para o estado de concentração.

O tempo da viagem até o local de trabalho, que antes ajudava a relaxar e a desligar das diferentes funções, não faz mais parte da rotina. Ver no laptop particular arquivos da empresa no tempo livre mantém a mente presa ao trabalho.

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Psiquiatras recomendam a quem se dedica ao home-office sair de casa e socializar uma ou duas vezes por semana, além de estabelecer limites claros entre o tempo de trabalho e o tempo pessoal. Reservar um período para relaxar pode ajudar a diminuir os hormônios do estresse, prevenir a exaustão e obter energia necessária para a conexão com outras pessoas.

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