As pessoas desejam, cada vez mais, ter controle sobre o momento e a forma de sua morte. A busca por morte assistida vem sendo registrada entre quem sofre com alguma doença terminal ou é portador de deficiência física grave por décadas. Mas o que raramente lhes dizem é que a medicina não descobriu como garantir o fim pacífico que se imagina. Não sei se o protocolo é o mesmo em todos os países. Vou falar aqui sobre o americano.
As substâncias usadas no suicídio assistido por médico, um coquetel de medicamentos comuns, são administradas fora das indicações aprovadas em doses letais, e ainda assim são pouco estudadas.
Mesmo quando os resultados parecem previsíveis, os protocolos comuns utilizados nem sempre funcionam como esperado, deixando entes queridos como testemunhas de vômitos, falta de ar e mortes que se estendem por horas ou dias, afirma um artigo publicado no British Medical Bulletin.
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Onde leis permitem a morte assistida por médico (Maid, na sigla em inglês), profissionais podem prescrever medicamentos que considerem adequados para fins letais, sem medo de serem processados. Muitos se baseiam no protocolo da organização sem fins lucrativos Academy of Aid-in-Dying Medicine, embora às vezes o modifiquem para substituir medicamentos por suas próprias formulações preferidas.
A doutora Kerri Mason, diretora médica do programa Maid do Denver Health, substitui morfina por hidromorfona para reduzir o volume de pó no coquetel de medicamentos, tornando-o mais palatável.
Medicamentos para suicídio assistido são comprimidos triturados, administrados em pó, que devem ser misturados a 60 ml de suco de maçã ou outra bebida doce para atenuar o sabor amargo. Os pacientes devem ser capazes de ingerir a mistura sozinhos.
O coquetel atualmente recomendado pela academia, conhecido como DDMAPh, combina cinco medicamentos. A pré-medicação para prevenir náuseas e vômitos é administrada antes do tratamento.
De acordo com o British Medical Bulletin, nenhum medicamento isolado ou combinação de medicamentos usados na morte assistida foi rigorosamente avaliado quanto à eficácia e segurança nesse contexto. Os autores apontam o potencial de causarem mortes angustiantes, justamente o que os pacientes tentam evitar.
Dados disponíveis mostram que o tempo médio até o óbito dobrou desde 2015, após a mudança de protocolos com um único medicamento para coquetéis combinados. Paciente que tomou o coquetel DDMAPh sobreviveu por 137 horas, quase seis dias.
Ainda não se sabe ao certo se os pacientes estão enfrentando efeitos adversos.
Sean Riley, pesquisador da área de cuidados paliativos e autor de artigo sobre como lidar com medicamentos para morte assistida publicado no Journal of Law and the Biosciences, afirma que a precariedade nos registros indica a necessidade de melhor regulamentação e políticas que apoiem escolhas informadas por pacientes.
Uma das razões pelas quais faltam dados sobre mortes assistidas é o fato de profissionais de saúde não serem obrigados a estar presentes no momento da ingestão dos medicamentos. Alguns pacientes não querem o médico ali, preferem morrer apenas com os entes queridos, afirma a doutora Kerri Mason.
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* Isabela Teixeira da Costa/Interina
