Na terça-feira passada, saí do jornal e fui à abertura da exposição dos 90 anos da Rádio Inconfidência, na sede do Iepha, na Praça da Liberdade. Deixei o carro na garagem de uma amiga que mora atrás do Palácio da Liberdade, fiquei na dúvida se subia pela Avenida Cristóvão Colombo ou pela Rua da Bahia. Deus me guiou na direção da Rua da Bahia, percurso mais longo, por sinal.
Assim que passei pela entrada da garagem do palácio e segui dez passos, vi uma senhora alta, mais idosa, atravessando a Rua Tomé de Souza com duas sacolinhas de supermercado. Já estava alcançando o passeio quando caiu de costas, batendo a cabeça no carro estacionado.
Corri para ajudá-la. Graças ao nosso Deus, um rapaz jovem ajudou a levantá-la, pegando por baixo de seus braços. Confesso: não conseguiria levantá-la sozinha. Bem mais alta do que eu, apesar de magra, era encorpada, ossatura pesada. Ajudei-a a subir no passeio. O rapaz recolheu as sacolas. De uma escorria leite, ele a jogou na lixeira.
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Enquanto dizia à senhora para respirar e ter calma, fiz uma vistoria em sua mão e na cabeça. Surgiram dois casais que me ajudaram. O jovem foi embora, começamos a conversar com ela, que tremia muito. Ela estava lúcida. Sabia seu nome e onde morava.
Chegamos ao prédio onde ela mora, quase em frente ao local da queda. Sem porteiro, mas a portaria virtual reconheceu sua imagem e abriu a porta. Subimos com ela.
No elevador, perguntamos se não queria ligar para alguém. Não tinha levado celular. No apartamento, lavou as mãos para limpar o machucado. Novamente sugeri que ligasse para os filhos. Ela não tem. Para algum parente ou amigo. Disse que chamaria a vizinha. Recomendei colocar gelo na cabeça e não se deitar. Fomos embora, percebendo o quanto estava desapontada, querendo ficar sozinha.
Dois pontos deste episódio me chamaram a atenção. O primeiro é como ainda há pessoas solidárias nas ruas da nossa cidade, caso dos dois casais, muito simpáticos e atenciosos.
Outro ponto é o fato de que o idoso precisa se cuidar, prestar mais atenção no que faz. Primeiro: nunca sair de casa sem levar celular. O quarteirão onde a senhora caiu tem pouco movimento. Caiu entre dois carros, não teria força para se levantar sozinha. Se estivesse com celular, poderia ligar para algum conhecido, polícia ou Samu.
Outra coisa: procurar atravessar a rua perto de entrada de garagem, assim não precisa elevar o pés para subir o meio-fio, que no caso era bem alto.
Fiquei pensando nos idosos que moram sozinhos. Muitos deles, quando querem pegar algo, sobem em cadeiras ou bancos em vez da escada. Se cair, como faz? Ninguém anda com celular no bolso dentro de casa, como pedir ajuda?
O filho de minha amiga colocou câmeras na casa toda. Vira e mexe, confere para ver se está tudo bem. Mas e quem não tem esse recurso? Se cair, ficará lá, só Deus sabe por quanto tempo.
Situações assim, de fragilidade, precisam ser previstas. Idosos, familiares e amigos devem criar estratégias para pedir socorro. Agora que moro sozinha, e depois daquela terça-feira, já estou pondo a cabeça para funcionar. Abandonei gambiarras e maluquices que trazem o risco de acidente doméstico.
Voltando à exposição da Rádio Inconfidência, está linda. Disseram que termina hoje, mas Adalberto Mateus, do Iepha, informa que há negociações para prolongá-la. Vale muito a pena, ficou muito legal. Parabéns para minha amiga e colega Velise Maciel, que fez a pesquisa e o projeto desta mostra.
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* Isabela Teixeira da Costa/Interina
