No fim de semana, falei de pesquisas que vêm descobrindo métricas de saúde que podem sinalizar doenças anos antes do surgimento de sintomas. Comentei também que pequenas alterações mensuráveis podem aumentar a duração e a qualidade de vida. Hoje apresento mais duas métricas.

Uma delas é a frequência cardíaca em repouso, ou o número de batimentos cardíacos por minuto em repouso, importante indicador de quão bem e por quanto tempo viveremos.

O cardiologista e pesquisador dinamarquês Magnus T. Jensen constatou que frequência cardíaca em repouso mais elevada é fator de risco para mortalidade, podendo estar elevada por várias razões, como diabetes, doenças cardiovasculares e doença pulmonar obstrutiva crônica. Pode ser indicador de estresse físico e também psicológico.

O estudo começou em 2009. Acompanhou 2.798 homens saudáveis de meia-idade durante 16 anos, medindo sua frequência cardíaca em repouso, nível de condicionamento físico e fatores de estilo de vida. Pesquisadores descobriram que quanto maior a frequência cardíaca, maior o risco de morte ao longo do tempo.

A pesquisa de Jensen com 4.282 gêmeos idênticos e fraternos detectou que a frequência cardíaca em repouso era hereditária em cerca de 23% deles. O irmão com frequência cardíaca em repouso mais alta tinha maior probabilidade de morrer primeiro.

Em adultos, a frequência cardíaca em repouso geralmente fica entre 60 bpm e 100 bpm, embora, segundo Jensen, a frequência cardíaca em repouso saudável seja totalmente individual.

Qual é o fator mais eficaz para reduzir a frequência cardíaca em repouso? Aqueles relacionados ao estilo de vida desempenham papel importante. Fumar, beber, estresse físico e psicológico são problemáticos. Qualquer pessoa pode medir sua própria frequência cardíaca.

Outra métrica é a relação cintura-altura. Durante décadas, o índice de massa corporal (IMC) foi a medida de composição do corpo mais usada na medicina. No entanto, o IMC tem uma falha fundamental: não distingue entre músculo e gordura, além de não informar onde a gordura está armazenada.

Essa distinção é relevante, porque a gordura visceral, que se acumula ao redor de nossos órgãos internos, é mais perigosa do que a gordura armazenada em outras partes do corpo. Ela está associada a inflamação, resistência à insulina, doenças cardiovasculares e morte prematura.

O geriatra Francesco Landi e colegas descobriram que medidas antropométricas que refletem a adiposidade central, particularmente a relação cintura-estatura, estavam associadas ao desempenho físico. Pessoas com índices mais elevados tenderam a apresentar piores resultados funcionais, sugerindo uma ligação entre a distribuição de gordura central e o declínio precoce da função física.

A relação cintura-estatura reflete a gordura abdominal em relação ao tamanho do corpo, que está intimamente ligada ao risco metabólico. A adiposidade central está associada a doenças cardiovasculares, diabetes e declínio funcional, fatores que impactam a longevidade.

A cientista nutricional britânica Margaret Ashwell ajudou a transformar a relação cintura-estatura em marcador de saúde e longevidade reconhecido globalmente. Sua pesquisa demonstrou que essa relação é melhor preditor de mortalidade do que o IMC em homens, mulheres, todos os grupos étnicos e crianças com mais de 5 anos.

O motivo pelo qual a gordura visceral é tão prejudicial, explicou Ashwell, é de ordem mecânica. Para chegar a ela, pegue um pedaço de barbante, meça sua cintura (abaixo das costelas e acima dos ossos do quadril), depois meça sua altura. O objetivo é que a medida da cintura seja menor do que a metade da altura. A proporção cintura-altura ideal fica entre 0,4 e 0,5. Qual deve ser o comprimento do pedaço de barbante? Menos da metade de sua altura, se você quiser se manter saudável.

Continuarei abordando as métricas de saúde na próxima quarta-feira (17/6). Amanhã, falarei sobre outro tema.

* Isabela Teixeira da Costa/Interina

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