No último dia 2, o Conselho Federal de Medicina (CFM) ampliou as restrições ao uso do PMMA (polimetilmetacrilato) e proibiu sua utilização por médicos em todo o território nacional com finalidade estética ou reparadora.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) considera a decisão acertada. A única exceção prevista é para o tratamento da lipodistrofia em pacientes com HIV/Aids no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), conforme protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas do Ministério da Saúde.

O CFM alerta para complicações graves, muitas vezes irreversíveis causados pelo PMMA, como processos inflamatórios crônicos, infecções, formação de granulomas, deformidades, sequelas permanentes e complicações sistêmicas potencialmente fatais. Além disso, por permanecer indefinidamente no organismo, o PMMA dificulta o manejo de intercorrências e limita as possibilidades terapêuticas quando surgem complicações tardias.

PMMA é a sigla para polimetilmetacrilato, componente plástico muito rígido, semelhante ao acrílico. Na medicina tradicional, ele tem uso seguro e consagrado na confecção de lentes de contato, próteses cranianas, cimento ósseo para ortopedia, além da odontologia.

Na estética, era usado para preenchimentos, procedimento conhecido como bioplastia. O PMMA é transformado em microesferas plásticas suspensas em um gel fluido e injetado profundamente na pele, nos músculos ou no tecido subcutâneo para aumentar o volume de regiões do corpo, principalmente glúteos e coxas.. Também para preencher o famoso “bigode chinês”, mandíbula e maçãs do rosto. O PMMA nunca é absorvido pelo organismo.

A única exceção é para uso no tratamento de lipodistrofia (perda de gordura facial/corporal) em pacientes com HIV/Aids, desde que realizado exclusivamente em unidades de alta complexidade credenciadas pelo SUS, seguindo protocolos rígidos do Ministério da Saúde.

Por ser um corpo estranho plástico que permanece para sempre no organismo, ele pode desencadear reações a curto, médio ou longo prazo, mesmo décadas após a aplicação. Os principais riscos incluem inflamação crônica e granulomas, ou seja, o organismo tenta destruir o plástico e não consegue, gerando reação inflamatória perpétua, formando caroços endurecidos crônicos e dolorosos.

Com o tempo, o produto pode se deslocar pelo corpo ou causar a retração dos tecidos ao redor, causando deformidades graves na pele e assimetrias impossíveis de disfarçar.

Outro risco são necrose e mutilação, se o PMMA for injetad
o acidentalmente dentro de um vaso sanguíneo, ou se grandes volumes comprimirem as artérias. O fluxo de sangue é interrompido imediatamente. Isso causa necrose, podendo levar à perda de lábios, nariz, partes do glúteo e até cegueira irreversível. E mais: a inflamação crônica pode comprometer os rins.

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A remoção cirúrgica é extremamente difícil. Não existe antídoto ou enzima para dissolver o PMMA. Em aplicações de grandes volumes, comuns em glúteos, o produto pode entrar na corrente sanguínea e causar paradas cardiorrespiratórias ou embolias fatais em questão de horas.

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