PMMA, o preenchimento eterno: a substância por trás de cirurgias da beleza, complicações graves e mortes no Brasil
O polimetilmetacrilato, mais conhecido pela sigla PMMA, entrou no vocabulário popular no Brasil por causa de procedimentos estéticos que prometem aumento de volume e remodelação do corpo.
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O polimetilmetacrilato, mais conhecido pela sigla PMMA, entrou no vocabulário popular no Brasil por causa de procedimentos estéticos que prometem aumento de volume e remodelação do corpo. Trata-se de um polímero sintético em forma de microesferas suspensas em gel. Profissionais o utilizam como preenchimento permanente em diferentes regiões, como glúteos, coxas e rosto. Embora órgãos reguladores autorizem o uso médico em situações específicas, muitas pessoas ainda recorrem ao PMMA em intervenções inadequadas. Por isso, profissionais de saúde e autoridades intensificam a atenção e os alertas.
Como se trata de um material permanente no organismo, o PMMA não sofre absorção pelo corpo com o passar do tempo. Isso difere bastante de preenchedores temporários, como o ácido hialurônico. Em um primeiro momento, essa permanência pode parecer uma vantagem para quem busca resultados duradouros. No entanto, qualquer erro de aplicação, excesso de quantidade ou escolha inadequada da região pode gerar consequências difíceis de reverter. Em vários estados brasileiros, pessoas já relataram complicações graves e até mortes. Dessa forma, o tema ganhou destaque no debate sobre segurança em procedimentos estéticos.
O que é PMMA e como age no organismo?
O PMMA contém microesferas de plástico acrílico em suspensão, geralmente em um veículo gelatinoso. Após a injeção, o produto permanece no local escolhido. Em seguida, o organismo começa a formar tecido fibroso ao redor dessas partículas. Em aplicações controladas, esse tecido contribui para o efeito de preenchimento. Assim, o profissional pode corrigir sulcos, perdas de volume ou deformidades.
Na medicina, equipes especializadas utilizam o PMMA em situações restritas. Por exemplo, correção de lipoatrofia em pacientes específicos ou tratamento de determinadas alterações faciais. Nesses contextos, o profissional aplica pequenas quantidades em camadas profundas, com técnica rigorosa e avaliação prévia do histórico clínico. O produto precisa ter origem regularizada, com registro em órgãos de vigilância sanitária. Além disso, a equipe deve realizar o procedimento em ambiente adequado, com estrutura para atendimento em caso de intercorrências.
PMMA em procedimentos estéticos: por que o uso é tão polêmico?
O uso do PMMA em estética corporal, especialmente para aumento de glúteos e contorno de coxas, cresceu muito nos últimos anos. As redes sociais e as promessas de resultados volumosos e de baixo custo impulsionam essa procura. Nesses casos, muitos profissionais aplicam grandes volumes de substância, frequentemente em locais inadequados. Em especial, camadas superficiais da pele ou regiões próximas a vasos sanguíneos importantes. Além disso, pessoas sem habilitação adequada, clínicas irregulares e produtos de procedência duvidosa ampliam ainda mais o risco.
Relatos de pacientes mostram outro problema grave. Em diversos procedimentos, profissionais oferecem o PMMA como se ele fosse um produto inofensivo, comparável a preenchedores temporários. Entretanto, o PMMA permanece de forma definitiva no corpo. Portanto, qualquer reação indesejada pode desencadear processo inflamatório crônico e exigir múltiplas intervenções cirúrgicas. Em certos cenários, a equipe não consegue remover completamente o material. O PMMA pode se disseminar entre músculos, gordura e outros tecidos. Dessa maneira, a abordagem cirúrgica se torna muito mais complexa.
Quais são os principais riscos do PMMA mal aplicado?
Quando o PMMA entra em uso de forma inadequada, os riscos variam de desconfortos locais a complicações sistêmicas. Entre os problemas mais relatados, destacam-se:
- Inflamações crônicas: o organismo reage ao produto como a um corpo estranho, o que gera dor persistente, endurecimento da região e vermelhidão;
- Infecções: falhas de assepsia, aplicação em ambiente sem condições ideais ou uso de material contaminado podem causar infecções graves, que exigem antibióticos potentes e, em alguns casos, cirurgias;
- Necrose: a injeção de PMMA em área com vascularização comprometida ou que sofra compressão de vasos sanguíneos pode interromper o fluxo de sangue, causando morte do tecido local;
- Embolia: se o produto entrar em um vaso sanguíneo, ele pode migrar para órgãos vitais, como pulmões, com potencial para quadro agudo e risco de óbito;
- Deformidades e assimetrias: o acúmulo irregular do preenchedor gera nódulos, ondulações e alterações visíveis no contorno corporal.
Depois que o profissional aplica o PMMA, o material tende a se integrar aos tecidos. Esse comportamento dificulta bastante a retirada. Em situações graves, equipes cirúrgicas precisam realizar procedimentos extensos, com retirada de pele, gordura e partes de músculo, para tentar remover o máximo possível do material. Ainda assim, muitas pessoas permanecem com sequelas funcionais e estéticas. Em alguns casos, essas sequelas comprometem atividades do dia a dia e também a autoestima.
Casos recentes e diferença entre uso médico e uso estético indevido
Nos últimos anos, reportagens e boletins de entidades médicas descreveram casos de complicações graves associados ao PMMA. Muitos pacientes precisaram de internações prolongadas em unidades de terapia intensiva. Além disso, algumas pessoas morreram após procedimentos realizados em ambientes improvisados. Em vários episódios, as investigações identificaram uso de produto sem registro, excesso de volume aplicado ou ausência total de avaliação clínica prévia.
A diferença entre o uso médico autorizado e o uso estético indevido costuma envolver três fatores principais:
- Indicação: na medicina, equipes reservam o PMMA para situações específicas, frequentemente reparadoras. No uso indevido, pessoas aplicam o produto de forma ampla para aumento de contorno corporal;
- Quantidade: aplicações médicas utilizam volumes reduzidos. Em procedimentos estéticos irregulares, profissionais injetam grandes quantidades em uma mesma região;
- Responsável técnico: o uso regulado exige profissional de saúde habilitado, com registro em conselho de classe. Já nas práticas clandestinas, atuam pessoas sem formação adequada e sem supervisão.
Como atuam os órgãos reguladores e qual é o alerta dos especialistas?
No Brasil, diferentes instituições participam da fiscalização sobre o PMMA em procedimentos estéticos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registra produtos, define condições de uso e monitora notificações de eventos adversos. Além disso, conselhos profissionais, como os de medicina e enfermagem, estabelecem normas de atuação e aplicam sanções quando alguém desrespeita as regras. Secretarias de Saúde e vigilâncias sanitárias locais realizam inspeções em clínicas, consultórios e estabelecimentos que oferecem procedimentos estéticos.
Diante do aumento de complicações, entidades médicas reforçam comunicados sobre os riscos do uso inadequado de PMMA e de outros materiais permanentes para fins puramente estéticos. As recomendações convergem em um ponto essencial. Profissionais devem realizar intervenções com substâncias injetáveis somente em condições adequadas, com formação específica e responsabilidade técnica. O ambiente precisa ter regularização e seguir normas de biossegurança. Além disso, a equipe deve utilizar produtos de origem comprovada.
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Os especialistas também ressaltam a importância da avaliação cuidadosa do estado de saúde. Isso inclui histórico de alergias, doenças pré-existentes e uso de medicamentos. Antes de aceitar qualquer aplicação de PMMA, a pessoa precisa confirmar se o profissional possui formação compatível e registro em conselho de classe. Além disso, deve verificar se o serviço conta com autorização para funcionar e se o produto utilizado possui registro ativo na Anvisa. Em um cenário em que o apelo por mudanças rápidas na aparência se soma à oferta de procedimentos em redes sociais, a orientação técnica permanece firme. A segurança deve prevalecer sobre promessas de resultados imediatos, especialmente quando se trata de substâncias permanentes no corpo humano.