Nunca fui chegada em esportes. Quando era adolescente, assistia aos jogos de vôlei do Minas porque alguns amigos jogavam no time e eu fazia parte da torcida. Depois, passei a assistir aos jogos da Seleção Brasileira. Futebol, só assistia mesmo ao Brasil na Copa do Mundo, mas desde menina escolhi ser atleticana.

Acho que já contei isso aqui. Meu pai resolveu nos levar ao Mineirão para ver Atlético x Cruzeiro. Meu pai era americano e acho que ficamos nas cadeiras ou tribuna, sei lá. Devia ter uns 8 ou 9 anos, sou a caçula. Fomos os quatro com ele: Camilo Filho, Renato, Regina e eu.

Minha mãe, cruzeirense que era, nos fantasiou de azul e branco, fez até bandeiras. Eu não estava nem aí para o jogo, só queria saber de comer cachorro-quente, beber refrigerante, chupar picolé. Até que o Atlético fez um gol. Senti o estádio tremer, olhei e vi quase todo o espaço vibrando. Todo mundo vestido de preto e branco, e nós, que estávamos de azul e branco, éramos um tiquinho de gente. Naquela hora, decidi: “Não quero ser azul e branco, quero ser preto e branco!”. E virei atleticana.

Quando assumi a Gerência de Comunicação Institucional deste jornal, descobri o Torneio Empresarial de Tênis Estado de Minas e passei a organizá-lo em benefício da Jornada Solidária. Passei a entender e a gostar do esporte. Cheguei até a fazer aulas e participar de dois torneios. Ganhei dois jogos e perdi os outros, mas fiquei fã.

Atualmente, estou acompanhando o torneio de Roland Garros. E o jovem João Fonseca está dando um show. Na sexta-feira, eliminou o grande Novak Djokovic e foi, pela primeira vez, às oitavas de final de um grand slam. Domingo, ganhou do norueguês Ruud e foi para as quartas de final.

O último brasileiro a conseguir o feito foi o Guga, há 22 anos. O mais legal é que Guga estava no Brasil na sexta-feira, assistindo ao jogo de Fonseca e Djokovic em um restaurante, discretamente.

Quando começou o jogo de domingo, lá estava ele na arena, em destaque. Fez questão de torcer ao vivo pelo jovem tenista que vem fazendo bonito. Hoje, às 15h15, João joga com Jakub Mensik; se vencer, vai para a semifinal.

O interessante é que o torneio deste ano está atípico. Quase todos os Top 10 do ranking da ATP já saíram. Só continuam na disputa o alemão Alexander Zverev, que é o número 2 do mundo e nunca ganhou título de grand slam, e o canadense Félix Auger-Aliassime, o número 4, que venceu ontem o chileno Alejandro Tabilo. Hoje, Zverev joga com o espanhol Rafael Jodar, às 8h20.

Sem Alcaraz, que não entrou por causa de lesão no pulso direito, sem Sinner, sem Djokovic e outros tantos que já estão de escanteio, esta é a chance para o alemão, que esteve ano passado no Rio Open e não deixou boa impressão, ganhar seu primeiro título de um supertorneio.

Isso mesmo, ele fez questão de não ser simpático e a torcida, cansada de sua indiferença, chegou a vaiá-lo. Quem me contou foi um casal amigo que estava presente ao torneio no Jockey Club do Rio e saiu de lá decepcionado com a atitude do tenista, que era a estrela da edição.

A cabeça dele deve estar a mil. Zverev deve estar pensando: esta é a minha chance, é agora ou nunca. De fato, se ele não ganhar agora, não ganha nunca mais. Sem querer fazer pressão, mas já fazendo, se eu fosse ele, não confiaria tanto, porque essa moçada jovem tem muito fôlego, muito preparo físico e muito sangue nos olhos.

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Cabe a nós, brasileiros, continuarmos na torcida pelo nosso João Fonseca, lembrando que ele já fez muito. Se não passar para a semifinal, nada de cair em cima, falando mal e criticando. Ele só merece aplausos e elogios. Vai, João!

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