Cresci sabendo que 1º de abril é o Dia da Mentira, um dia para pregar peças nos amigos. Passava horas pensando em como “pegar” minha mãe de surpresa, além de meus irmãos e colegas. Era uma farra. O dia todo ficávamos espertos para não cair nas pegadinhas que tentavam passar na gente.
Hoje, não vejo mais esse movimento nem entre crianças e nem entre adultos. Mas por que foi criado este dia? Acredita-se que a comemoração tenha surgido na França, no século 16, em abril, e se firmou quando a adoção do calendário gregoriano mudou o ano novo para janeiro. Muita gente passou a ser ridicularizada porque continuava comemorando o Dia da Mentira em abril.
A tradição chegou ao Brasil por volta de 1828, quando o jornal A Mentira noticiou, falsamente, a morte de Dom Pedro I.
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Atualmente, o que se vê é gente mentindo o tempo todo. Mas existe uma coisa que dá mais trabalho do que falar mentira: dizer a verdade.
Mentira é a forma que o ser humano encontrou para se livrar de problemas imediatos. Muitas delas não prejudicam ninguém, são as chamadas mentiras sociais. As famosas desculpas tipo “não pude ir à sua festa porque estava com enxaqueca”, “você está linda nesta roupa”, “também te amo”, “saí tão atrasada que esqueci seu presente em casa”.
Precisa falar assim? Não. A pessoa sabe que é mentira? Sim. Então, para quê?
Porém, há mentiras que prejudicam o outro. Atitudes de gente esperta, matéria-prima de adulto covarde e sem ética.
Dizer a verdade é muito difícil, pois exige coragem, força, autoconfiança, posicionamento firme, caráter e determinação para enfrentar críticas. É possível falar a verdade com o outro, basta saber como dizê-la.
Para tudo tem um jeito, uma forma. É possível ser delicado nas palavras verdadeiras, ninguém precisa cometer sincericídio – palavra inventada que explica bem a atitude da pessoa que, para falar a verdade, ofende e vai conquistando inimigos pela vida. Lembre-se de que o maior exemplo que já pisou nesta Terra disse que a verdade liberta.
As verdades mais difíceis de serem ditas são aquelas sobre nós mesmos, coisas que não queremos admitir. Reconhecer nossos defeitos, fraquezas, erros, sermos sinceros conosco; admitir sentimentos ruins que temos dentro de nós. Reconhecer que não fizemos o que deveríamos ter feito, aceitar o fato de que não gostamos de algo em nós. Isso é muito difícil.
Certa vez, contei algo sobre mim em um grupo de amigas. Umas riram, outras se espantaram. Disse a única coisa que entendo como verdade. A única pessoa com a qual me preocupo a respeito de meus atos é Deus, ele sabe tudo o que faço. Então, por que preciso esconder de minhas amigas?
Não podemos esconder nada Dele. Por que esconder nossas falhas de nós mesmos?
O pior é que fazemos isso. Nos iludimos com o relacionamento que já nasceu morto; fingimos não ver como os filhos são; dizemos a nós mesmos que somos incapazes e inúteis; achamos que não somos amados; dizemos a nós mesmos que não temos sorte, que somos azarados.
Não acredite nessas mentiras que a mente – viciada nas mentiras sociais que falamos – cria sobre nós mesmos e acabam se tornando verdades dentro de nós. Aprenda a se conhecer, encare suas qualidades e defeitos. Todos os temos. Ame as qualidades, trabalhe os defeitos. Viva a sua verdade e aproveite a liberdade que existe nela.
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* Isabela Teixeira da Costa/Interina
