A medicina tem mudado diretrizes para uma série de doenças, como o diabetes. Agora chegou a vez da pressão arterial. Por muito tempo, pessoas de 65 anos com pressão acima de 130 tomaram remédio. Nova análise das diretrizes da American Heart Association, realizada em 2025, mudou essa prática. Constatou-se que cerca de 10% dos idosos anteriormente indicados para tratamento podem não atender mais àqueles critérios.

As diretrizes atualizadas em 2025 substituem a abordagem generalizada por outra que considera o risco de doença cardiovascular (DCV) do paciente em 10 anos, oferecendo perspectiva mais personalizada sobre a saúde do coração.

De acordo com a nova estrutura, a medicação imediata não é mais recomendada apenas com base na idade e nos níveis de pressão arterial, mas considera também outros fatores de risco cardiovascular do indivíduo. Isso significa que um em cada 10 americanos com mais de 65 anos com hipertensão inicial não receberia mais medicação.

Esta é uma boa notícia, porque medicamentos podem causar efeitos colaterais como tontura, fadiga e problemas renais, o que torna crucial a questão de quem realmente precisa de tratamento.

A cardiologista Carolyn Lam, consultora sênior do Centro Nacional do Coração de Singapura, afirma que, no caso de idosos, as preocupações com redução excessiva da pressão arterial incluem tonturas, quedas, fraturas e lesão renal aguda, especialmente em pessoas frágeis ou com doença renal crônica.

A abordagem guiada pelo risco, explica a especialista, concentra o tratamento intensivo onde o benefício absoluto é maior, geralmente pacientes com diabetes, doença renal ou múltiplos fatores de risco cardiometabólicos, evitando a polifarmácia desnecessária em pacientes de menor risco.

Peter Kowey, professor de medicina e farmacologia clínica da Universidade Thomas Jefferson, na Filadélfia, diz que não se deve medicar em excesso, especialmente aquelas pessoas com mais de 65 anos. Mas alerta que o relatório pode ter a consequência não intencional de reduzir o tratamento para aqueles que realmente precisam dele.

Como o novo modelo exige a consideração de todos os fatores de risco relevantes para o tratamento da hipertensão, Kowey afirma que o médico de atenção primária que não seja suficientemente experiente ou que não tenha tempo suficiente para realizar todas as avaliações de risco provavelmente receberá a mensagem errada.

Kowey enfatiza que não gostaria que médicos de atenção primária, nos 10 minutos que passam com o paciente, “ficassem sentados, lamentando se devem ou não tratar pressão arterial de 160 por 100 devido ao fator de risco”. Para o professor, o grande desafio não é tirar as pessoas dos medicamentos, mas encontrar todos os pacientes que precisam de tratamento e dar a eles algo que funcione e possam tolerar.

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* Isabela Teixeira da Costa/Interina

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