Ontem, contei aqui o caso da família americana surpreendida pela Alexa, que queria ver como uma criança de 4 anos estava vestida, sem que isso fosse o assunto dos usuários com ela. Comentei a “descoberta” que a máquina é provida de câmera oculta, e a Amazon não divulga este fato. Diante das denúncias, eles tiveram de confirmar.
Minha irmã tem duas Alexas em casa. Fui visitá-la e fizemos o teste. Ela perguntou à Alexa se tinha câmera, a máquina confirmou e ensinou como ativá-la. Estamos vivendo no mundo Big Brother, porém sem nossa autorização. O que fazer?
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Contando este episódio para algumas pessoas, o que mais ouvi foram casos de profissionais que trabalham com alta tecnologia e andam com fita crepe na bolsa para tampar câmeras frontais e traseiras de seus celulares quando estão em reunião.
É de conhecimento geral que Mark Zuckerberg, o criador do Facebook, só anda com as câmeras do celular cobertas. Outros profissionais chegam a desligar o aparelho e deixá-lo em outro ambiente.
Está aí uma boa ideia. Ficamos tão acostumados a andar com o celular o tempo inteiro, que não temos tempo para fazer mais nada que não seja com ele. Até quando saímos com amigos o celular está sobre a mesa, para aquela olhadinha rápida vez ou outra.
Não podemos negar que joguinhos e viajar pela internet são ações espetaculares, principalmente nas salas de espera. Agenda de telefone e de compromissos, e-mail, lembretes, acesso a GPS nos ajudam a não nos esquecermos de nada. Facilitam a vida. Mas precisamos ficar hiperconectados 24 horas por dia?
Já pensou em desligar ou colocar o celular no silencioso, esquecendo-se, por algumas horas, de que ele existe? A ideia de diminuir a dependência pode parecer quase impossível, mas não é. Pense em tudo o que você pode fazer no tempo que vai ganhar.
Ler? Caminhar? Encontrar amigos? Assistir a um bom filme? Conversar com alguém de quem você gosta? Cozinhar, dançar, ouvir música, desenhar, pintar, praticar esporte ou simplesmente não fazer nada, apenas parar tudo e pensar, refletir, se observar.
Hoje em dia, a gente não para mais para olhar o mundo, as pessoas, a paisagem. Quando andamos de carro, estamos sempre com a cabeça baixa, olhando o celular. Se você só recebe notícias rápidas e muda de imagem o tempo todo, perde a capacidade de concentração, e é justamente ela que nos permite aprender, criar e refletir.
Se nós não observamos o mundo onde vivemos, que memória teremos?
É aquela velha máxima que nunca cai de moda: o equilíbrio é fundamental. Nada em excesso faz bem.
Desligar o telefone por alguns momentos não significa se desconectar da vida. Pode significar exatamente o contrário: se reconectar com ela. E essa escolha, felizmente, ainda está em nossas mãos.
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* Isabela Teixeira da Costa/Interina
