Temos de criar filhos independentes, preparados para enfrentar o mundo, mas existem muitos pais superprotetores. Isso é muito comum, principalmente entre pais de primeira viagem. Até que ponto o excesso de cuidado pode prejudicar o desenvolvimento infantil?

 

 

De acordo com o neurocirurgião André Ceballos, especialista em desenvolvimento infantil, o excesso de intervenção do adulto impede que a criança tenha experiências fundamentais para seu crescimento emocional e cognitivo. Errar, se frustrar e tentar novamente fazem parte do processo natural de amadurecimento. Quando os pais solucionam problemas dos filhos ou evitam qualquer desconforto, acabam limitando a construção da autonomia.

 

 

Ceballos lista atitudes comuns em pais superprotetores: fazer tarefas que a criança é capaz de realizar sozinha; intervir constantemente em conflitos escolares ou entre amigos; evitar qualquer situação que gere frustração; controlar excessivamente rotinas, decisões e escolhas.

 

 

André Ceballos é diretor técnico do Hospital São Francisco e referência no diagnóstico e tratamento de crianças com transtornos do desenvolvimento. O médico tem como missão identificar precocemente condições que possam comprometer o pleno desenvolvimento das crianças, oferecendo intervenções terapêuticas baseadas nas melhores evidências científicas.

 

De acordo com ele, é importante diferenciar cuidado e controle. Proteger é garantir segurança e orientação. Superproteger é impedir a vivência. O equilíbrio está em acompanhar, orientar e permitir que a criança experimente, dentro de limites seguros.

 

 

A longo prazo, o excesso de cuidado pode deixar marcas nas crianças. Elas podem apresentar baixa tolerância à frustração, dependência excessiva dos pais, ansiedade e dificuldade para tomar decisões na adolescência e na vida adulta.

 

Sendo assim, desde os primeiros momentos em que as crianças começam a apresentar os marcos do desenvolvimento infantil, é importante que os pais incentivem pequenas responsabilidades, valorizando mais o esforço e menos o resultado. A construção da autonomia começa nas pequenas escolhas diárias. Confiar na capacidade do filho é um dos maiores presentes que podemos oferecer.

 

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* Isabela Teixeira da Costa/Interina

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