Depois que o Outubro Rosa deu certo como campanha de conscientização à prevenção ao câncer de mama, os demais meses do ano passaram a abraçar outras doenças que precisam e merecem estar na mídia para alertar a população. Rapidamente o calendário ficou completo e mais cores surgiram nos mesmos meses para falar de outros males.


Em fevereiro, temos o Laranja – que conscientiza sobre a prevenção e orientação contra a leucemia –, e o Roxo, escolhido para conscientização do lúpus, da fibromialgia e do Alzheimer. E se não tem cura, que pelo menos o paciente tenha conforto. E é sobre isso que vamos falar hoje.


O que vem sendo observado pelos médicos há muito tempo, e cada vez mais ganha respaldo científico por meio de estudos publicados na mídia especializada, é a importância do tratamento da surdez, que pode ser fator de predisposição ao Alzheimer e a doenças degenerativas similares, segundo especialista do Hospital Paulista.

 




Mais uma vez, a comunidade médica internacional teve comprovações de que o uso de aparelhos auditivos pode, sim, ser decisivo para evitar quadros de demência, como o Alzheimer. Artigo recente, publicado na revista científica The Lancet, destaca pesquisa realizada por cientistas ingleses, que analisou os dados de 440 mil pessoas do UK Biobank – banco de dados que contém informações biomédicas.


O levantamento concluiu que cerca de 25% desse universo apresentava alguma deficiência auditiva, mas apenas 11,4% utilizava aparelho auditivo – o que chamou atenção dos pesquisadores, especialmente após observarem que, nesse pequeno contingente, o risco de ter algum tipo de demência seria igual ao das pessoas com audição normal. Ou seja, não haveria uma propensão maior ou menor entre esse público.


Por outro lado, na análise das pessoas que têm deficiência auditiva e não fazem uso do aparelho, os cientistas concluíram que o risco de terem demência é 42% maior em relação aos demais.


O estudo também avaliou se fatores como solidão, isolamento social ou sintomas depressivos poderiam ter algum impacto na correlação entre perda auditiva e demência. Nesse aspecto, foram identificadas eventuais melhorias nas situações psicológicas e sociais dos indivíduos analisados. Mas, com pouco efeito na conexão entre demência e perda auditiva, motivo pelo qual os pesquisadores atribuíram, exclusivamente, ao aparelho auditivo o diferencial observado.


Para José Ricardo Gurgel Testa, otorrinolaringologista no Hospital Paulista, o estudo reforça o entendimento de que a perda auditiva, quando não tratada, pode contribuir para o agravamento do Alzheimer. A principal razão, segundo ele, estaria justamente no isolamento do convívio social, que afeta de sobremaneira as funções cognitivas.


Conforme o especialista, a falta de estímulo sonoro ao cérebro afeta diretamente o desenvolvimento de funções cognitivas e da memória, pois o córtex auditivo, responsável por processar as informações e entender os sons, fica debilitado.


O som enviado para o cérebro chega desordenado e, no lugar de ativar áreas responsáveis pela compreensão de linguagem, ativa regiões do lobo frontal, relacionadas ao raciocínio, memória e tomada de decisão.


As pessoas que fazem uso de aparelhos auditivos, conforme o médico, não apresentam a mesma incidência no desenvolvimento de Alzheimer, pois o equipamento estimula as vias auditivas periféricas e centrais, beneficiando a cognição e melhorando a qualidade de vida. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

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