André Murad
André Murad
Diretor-executivo da Clínica Personal Oncologia de Precisão de BH. Oncologista e oncogeneticista da OncoLavras.
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Avanços no tratamento do câncer de pulmão 2021-2026 - parte 1

existem medicamentos que podem ser administrados para inativar essa proteína e ajudar a eliminar as células cancerígenas

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Há cinco anos, se os pacientes com câncer de pulmão não apresentassem uma mutação conhecida, suas opções eram basicamente a quimioterapia, talvez combinada com imunoterapia. Hoje, existem medicamentos desenvolvidos especificamente para atacar muitas dessas mutações — frequentemente com menos efeitos colaterais do que a quimioterapia convencional.

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Há um padrão claro: um medicamento é aprovado inicialmente para câncer avançado que já não responde a outros tratamentos. Assim que se comprova sua segurança e eficácia, ele passa a ser utilizado em pacientes diagnosticados em estágios mais iniciais. O medicamento que hoje é considerado um último recurso muitas vezes se torna a primeira opção de tratamento no futuro — e, uma vez que um fármaco funciona para uma determinada mutação, versões melhores e usos em estágios mais precoces tendem a surgir na sequência.

Em 2021:

Sotorasibe - Torna-se o primeiro medicamento aprovado para câncer de pulmão com mutação KRAS

O Lumakras (sotorasibe) tornou-se o primeiro comprimido aprovado para uma mutação KRAS — um alvo que cientistas tentaram, sem sucesso, atingir durante 40 anos. Ele foi aprovado para pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas (CPCNP) com a mutação KRAS G12C que já haviam tentado outro tratamento anteriormente.

Antes do Lumakras, o tratamento de segunda linha geralmente envolvia quimioterapia intravenosa a cada três semanas, associada a náuseas, queda de cabelo e risco de infecções. O Lumakras ofereceu uma alternativa em comprimido, administrado uma vez ao dia em casa. Essa mutação está presente em cerca de 14% dos pacientes com câncer de pulmão. É algo importante, pois agora existem medicamentos que podem ser administrados para inativar essa proteína e ajudar a eliminar as células cancerígenas.

Aquele mesmo ano também trouxe novos medicamentos para mutações de inserção no éxon 20 do EGFR e de skipping (salto) do éxon 14 do MET, além de uma opção mais ampla de imunoterapia de primeira linha.

Em 2022:

O trastuzumabe deruxtecana (Enhertu ) possibilitou o primeiro tratamento real para o CPCNP com mutação HER2 — um subtipo que afeta cerca de 2% a 4% dos pacientes e que, até então, não contava com nenhuma opção de terapia-alvo. Um estudo posterior, revelou que o Enhertu foi mais eficaz do que a combinação padrão de primeira linha (quimioterapia e imunoterapia) em impedir o crescimento do câncer.

Em 2023–2024:

Novos medicamentos combatem a resistência ao tratamento, e o câncer de pulmão em estágio III ganha sua primeira opção de terapia-alvo.

O repotrectinibe chegou para o CPCNP com mutação do gene ROS1, desenvolvido para ter efeito mais duradouro e alcançar o cérebro, local para onde esse tipo de câncer frequentemente se dissemina. Ele foi aprovado tanto para pacientes que iniciavam o tratamento para ROS1 quanto para aqueles cujo medicamento anterior para ROS1 havia deixado de funcionar — um sinal precoce de que a resistência estava se tornando algo tratável pelos médicos, e não apenas um beco sem saída.

O osimertinibe (Tagrisso) utilizado principalmente para câncer que já havia se disseminado, foi aprovado para CPCNP com mutação EGFR em estágio III irressecável. No estudo que embasou essa aprovação, o medicamento reduziu em 84% o risco de agravamento do câncer ou morte em comparação com o placebo.

O câncer de pulmão de células pequenas (CPCP), que passou décadas sem um avanço significativo, recebeu seu primeiro medicamento capaz de recrutar células T: o tarlatamabe (Imdelltra).

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Paralelamente, um grande estudo constatou que pacientes que receberam imunoterapia após quimioterapia e radioterapia para CPCP em estágio limitado sobreviveram, em mediana, 55,9 meses, em comparação com 33,4 meses sem o tratamento — quase dois anos a mais.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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