ANIMAIS

Coelhos de brinquedo viram robôs e a explicação para essa transformação passa por uma estratégia incomum contra a invasão de pítons birmanesas

Iscas eletrônicas aquecidas imitam animais reais para atrair répteis camuflados; tecnologia inédita ajuda a proteger a fauna dos Everglades

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Pesquisadores na Flórida transformaram coelhos de pelúcia em robôs para rastrear pítons-birmanesas nos Everglades. O objetivo do projeto consiste em atrair essas serpentes invasoras para pontos monitorados, superando a dificuldade histórica enfrentada por equipes de campo para localizar répteis camuflados na vegetação densa.

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Tecnologia contra predadores invasores

O experimento busca proteger animais nativos da região. Chris Dutton, pesquisador da Universidade da Flórida, retirou o enchimento dos brinquedos e instalou componentes eletrônicos. Motores internos fazem a isca tremer, girar e se mover em intervalos programados, enquanto pequenos aquecedores reproduzem a temperatura corporal de um coelho vivo.

O sistema funciona com energia solar e permite acionamento remoto. Os criadores enfrentaram desafios técnicos para impermeabilizar o equipamento, já que a estrutura precisava resistir à umidade sem interromper a emissão de calor. Robert McCleery, professor de conservação e ecologia da vida selvagem, coordena a iniciativa.

“Queremos capturar todos os processos que um coelho real emitiria”, afirmou McCleery. “Mas sou um ecologista. Não sou alguém que fica por aí construindo robôs.”

Monitoramento e captura

As iscas robóticas ficam posicionadas dentro de cercados vigiados por câmeras. Assim que uma serpente se aproxima, o sistema envia um alerta aos pesquisadores, permitindo que o distrito responsável organize a captura do animal.

Mike Kirkland, biólogo responsável pelo controle de espécies invasoras no distrito, destacou a relevância da ferramenta: “removê-las é bastante simples. O problema é a detecção. Estamos enfrentando grande dificuldade para encontrá-las. Elas estão muito bem camufladas no campo.”

Testes anteriores utilizavam coelhos vivos, mas o manejo exigia equipes numerosas em áreas isoladas. As réplicas robóticas, enviadas a campo em julho de 2025, buscam reduzir essa demanda de trabalho. Caso o movimento e o calor não bastem, os cientistas planejam inserir odores característicos nas armadilhas.

Introduzidas no ecossistema pelo comércio de animais de estimação, as pítons consomem diferentes espécies nativas:

  • coelhos;

  • guaxinins;

  • aves.

Cientistas relacionam a proliferação dos répteis ao declínio de mamíferos locais. O uso dos coelhos eletrônicos soma forças ao trabalho de caçadores contratados e ao evento "Florida Python Challenge". Relatórios do projeto não detalham a quantidade de serpentes recolhidas até o momento.

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“Esta parte do projeto está no início”, declarou Kirkland. “Estamos confiantes de que funcionará quando tivermos tempo suficiente para resolver esses detalhes.”

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