Aprender idiomas tem uma janela especial na infância, mas o que acontece no cérebro depois dos cinco anos desafia uma ideia muito comum sobre a idade ideal
Janela de oportunidade entre seis meses e cinco anos torna o cérebro mais receptivo; prática social e diversão são decisivas no aprendizado
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Muitos pais matriculam os filhos em aulas de idiomas durante a infância. O objetivo habitual envolve preparar os jovens para viagens, trabalho ou comunicação com outras pessoas no futuro.
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O divulgador científico David Bueno, especializado em neurociência e educação, assegura que o cérebro humano está mais preparado para absorver novas línguas nos primeiros anos de vida. As crianças possuem maior plasticidade cerebral que os adultos, criando conexões com facilidade.
Janela de oportunidade infantil
Em entrevista ao podcast "Tengo un Plan", Bueno explicou o momento mais favorável: "há uma janela de oportunidade em que o cérebro está especialmente atento a aprender idiomas. Esse período vai aproximadamente desde os seis meses até os três, quatro ou cinco anos".
Nessa etapa, os pequenos aprendem a falar sem frequentar escolas e assimilam os idiomas do ambiente. Apenas quadros de neurodivergência que afetam a fala demandam apoio de especialistas. Ouvir uma língua pela primeira vez aos dez ou onze anos torna a assimilação mais difícil.
Prática e utilidade social
A facilidade depende também do uso diário da língua. Quando o estudo atende a uma necessidade de integração social, o processo ganha velocidade. Ao se mudar para a China, por exemplo, uma pessoa compreende expressões básicas em poucos meses pela necessidade imediata de convivência.
Para quem busca aprender um idioma, o especialista recomenda que a atividade não vire obrigação e reúna três condições:
tempo;
tranquilidade;
diversão.
Estudar por anos sem aplicação prática costuma limitar o aprendizado. Quem cresce em família bilíngue aprende as duas línguas, mas alunos que aprendem inglês na escola sem usá-lo na rua demoram anos para formular frases simples. O domínio surge quando aparece uma utilidade prática, como no trabalho.
Efeito da música no cérebro
O especialista também explicou a influência de ouvir canções estrangeiras. A prática aprimora a pronúncia e o sotaque porque a música estimula o sistema emocional, situado ao lado da área cerebral que gerencia a memória.
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A melhora no sotaque não assegura a apreensão de vocabulário. Compreender o sentido das palavras ouvidas em músicas exige esforço consciente e reflexão sobre a mensagem transmitida.
