O avanço na compreensão dos distúrbios do eixo intestino-cérebro ganhou impulso com a publicação dos "critérios Roma V". A referência internacional foca na base orgânica desses diagnósticos, que envolve alterações na sensibilidade, motilidade, função imunológica e microbiota, como explica a médica Carolina Malagelada, do Hospital Universitário Vall d'Hebrón e integrante da Fundação Espanhola do Aparelho Digestivo (FEAD).

Um estudo internacional recente identificou a presença desses transtornos em 40% da população mundial. Embora os dados venham de entrevistas por telefone e internet, Malagelada avalia que a frequência real oscila entre 20% e 30%, configurando a razão mais frequente de consultas médicas no setor digestivo.

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Conexão biológica direta

A ligação entre o sistema nervoso central e o sistema entérico começa no embrião e segue por toda a vida. O aparelho digestivo conta com neurônios próprios e trabalha sem interrupção: faz a limpeza de resíduos durante o jejum e tritura a comida com secreções para absorver nutrientes nas refeições.

Pessoas afetadas sofrem com uma desregulação neuromuscular na percepção do processo digestivo. Sinais que deveriam indicar saciedade ou necessidade de evacuação se desajustam, provocando dor, sensação de peso e estufamento abdominal.

Distúrbios frequentes

  • síndrome do intestino irritável: atinge especificamente o intestino e gera desconforto abdominal com episódios de diarreia, prisão de ventre ou alternância entre os dois quadros;

  • dispepsia funcional: tem origem no estômago e provoca queixas na parte alta do abdômen, gerando dor e peso logo após as refeições.

Os dois problemas não são isolados e costumam se sobrepor no mesmo organismo em diferentes períodos da vida.

Gatilhos e diagnóstico

O estresse não age como a causa isolada, mas agrava os sintomas em pacientes com sensibilidade neuromuscular prévia. Noites mal dormidas e refeições volumosas ou picantes também pioram o mal-estar, em um comportamento semelhante às crises de enxaqueca.

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O diagnóstico é firmado a partir da análise dos sintomas clínicos e pela exclusão de outras enfermidades digestivas. Médicos especialistas identificam esses transtornos sem depender de exames laboratoriais confirmatórios específicos, reservando endoscopias e exames de imagem para situações com sinais de alerta.

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