CIÊNCIA

Poço científico chega a 7.018 metros na China: quatro anos de perfuração miram algo que não é petróleo e pode revelar pistas sobre a época dos dinossauros

Projeto Songke-2 atravessa camadas do Cretáceo e recupera dados geológicos raros para desvendar a história climática e o fim dos dinossauros

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Uma equipe científica perfurou a crosta terrestre até atingir 7.018 metros sob a cidade de Daqing, no nordeste da China. O poço Songke-2 atravessou as camadas continentais do Cretáceo, período situado entre 145 e 66 milhões de anos atrás, para resgatar arquivos geológicos da época dos dinossauros.

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Iniciada em abril de 2014 em Anda, na província de Heilongjiang, a perfuração terminou em maio de 2018. O projeto científico foi conduzido sob liderança do acadêmico Wang Chengshan no âmbito do Programa Internacional de Perfuração Científica Continental (ICDP), sem vínculo com a exploração de petróleo na bacia de Songliao.

Condições extremas e marcas históricas

A operação realizou a coleta de 4.279,73 metros de testemunhos de rocha, alcançando taxa de recuperação de 96,61%. O trabalho enfrentou temperaturas no fundo do poço superiores a 240 graus Celsius na quinta fase da perfuração, logo após os 7.000 metros de profundidade.

Os técnicos registraram quatro recordes mundiais no local. As marcas incluem mais de mil metros de testemunhagem contínua com diâmetro de 311 milímetros e o primeiro uso na China de lama de perfuração à base de água sob calor superior a 240 graus.

Achados geológicos e novos limites

Situado na depressão de Xujiaweizi, o Songke-2 tornou-se o primeiro poço científico continental do planeta a atravessar todas as camadas do Cretáceo. Na faixa entre 4.400 e 7.018 metros, os pesquisadores identificaram rochas quentes secas de 150 a 240 graus, fluxo térmico de 84 miliwatts por metro quadrado e dois intervalos com índices anormais de urânio.

As análises constataram outros registros relevantes no subsolo:

  • anomalias de hidrogênio com concentrações de 1,36% a 26,89% nas formações Denglouku e Yingcheng;

  • presença de 43 níveis com indícios de gás de folhelho abaixo de 3.350 metros, somando 102 metros de espessura acumulada;

  • reunião de 24 terabytes de informações experimentais profundas distribuídas em 4,15 milhões de conjuntos de dados.

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A experiência antecedeu novos limites atingidos no país. Em janeiro de 2025, o poço Shenditake 1 alcançou 10.910 metros na bacia do Tarim, tornando-se o poço vertical mais profundo da Ásia após mais de 580 dias de obras iniciadas em maio de 2023, com cerca de 300 dias dedicados aos 910 metros finais.

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