DESCOBERTA MÉDICA

Sua retina pode revelar sua idade biológica e antecipar doenças

Estudo inovador une inteligência artificial e exames oculares para prever riscos de diabetes e envelhecimento precoce de forma rápida e segura

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Um estudo conduzido por pesquisadores coreanos e publicado na revista "GeroScience" revelou que a análise da retina por meio de inteligência artificial consegue estimar a idade biológica. O modelo avalia fotografias do fundo de olho para calcular a diferença entre a idade retiniana estimada e a idade cronológica, métrica definida pelos cientistas como brecha de idade retiniana.

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A ferramenta analisa os padrões da imagem ocular e estabelece uma estimativa matemática, sem envolver a existência de um relógio biológico real no olho. O médico Álvaro Fernández-Vega Sanz, diretor da unidade de Retina e Vítreo do Instituto Oftalmológico Fernández-Vega, explica que uma brecha positiva indica que a estrutura apresenta características que o modelo associa a uma idade superior à real.

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Impacto do estilo de vida e doenças crônicas

Os dados do estudo indicam correlações significativas entre o aumento dessa idade retiniana estimada e diferentes condições clínicas:

  • indivíduos com diabetes clínica apresentaram retinas, em média, cerca de 2,5 anos mais velhas em comparação com pessoas sem a patologia;

  • olhos diagnosticados com catarata registraram uma idade retiniana 1,86 ano acima da idade cronológica;

  • pacientes com degeneração macular associada à idade apresentaram elevação aproximada de 0,6 ano;

  • fumantes e ex-fumantes revelaram índices cerca de 0,50 e 0,46 ano maiores do que aqueles registrados em pessoas que nunca fumaram.

O tabagismo gera efeitos vasculares e oxidativos capazes de afetar os tecidos oculares e deixar marcas na microcirculação. Além das enfermidades vasculares e metabólicas como a retinopatia diabética, o envelhecimento também se relaciona a problemas como glaucoma e catarata, que exigem revisões oftalmológicas periódicas para evitar a perda visual.

Aplicações da oculômica na medicina

A retina reúne tecido nervoso e microcirculação, permitindo observar vasos sanguíneos e estruturas neuronais de forma não invasiva. Esse cenário fortalece a oculômica, campo que associa fotografias de fundo de olho, tomografia de coerência óptica e angiografia à inteligência artificial para pesquisar biomarcadores de risco em doenças cardiovasculares, renais, metabólicas, acidente vascular cerebral, Alzheimer e Parkinson.

O artigo propõe três aplicações práticas para os achados: o uso dos exames como triagem populacional rápida, a detecção de alertas sistêmicos em consultas de rotina para orientar avaliações cardiovasculares e o acompanhamento de medições repetidas ao longo dos anos para monitorar intervenções.

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Fernández-Vega Sanz ressalta que o estudo avaliou apenas pacientes de um único centro coreano e demonstra associações estatísticas, sem estabelecer causalidade. O método ainda exige validação prospectiva antes de atuar no diagnóstico individual de consultório.

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