BANANA

Cada hectare de banana deixa 220 toneladas de pseudocaule no campo, mas fábricas brasileiras encontram nesse descarte uma matéria prima com destinos surpreendentes

Tecnologia brasileira transforma o que era lixo da colheita em um material versátil e resistente; uma inovação para a moda e para embalagens

Publicidade
Carregando...

O pseudo-caule da bananeira, parte carnosa que sobra após a colheita, está sendo transformado em matéria-prima para tecidos, papel e embalagens no Brasil. A inovação transforma um resíduo agrícola em um recurso com potencial industrial.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

Cada hectare de cultivo de banana pode gerar cerca de 220 toneladas de biomassa, incluindo caules e folhas, que geralmente são deixados no campo. No Brasil, os pseudo-caules criam milhões de toneladas de resíduos anualmente, enquanto na Índia o volume chega a 51,18 milhões de toneladas por ano.

Leia Mais

O interesse industrial vem da qualidade técnica do material. Os caules contêm fibras celulósicas com resistência à tração de aproximadamente 570 megapascais, superior a fibras como juta e sisal. Isso as torna adequadas para a produção de fios e como reforço em materiais compostos.

Da produção artesanal à industrial

O uso da fibra de banana está saindo de pequenas oficinas para uma cadeia de suprimentos organizada, com padrões de qualidade e rastreabilidade. Um exemplo é o projeto Banana Têxtil, do Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil de Santa Catarina, focado na produção de tecidos em larga escala. A iniciativa foi finalista do BRICS Solutions Awards.

O processo industrial começa perto das plantações para reduzir custos de transporte. Os pseudo-caules são classificados por tamanho e umidade. A extração mecânica, chamada descortezamento, utiliza rolos e lâminas para separar a fibra da polpa. Em seguida, um processo de lavagem intenso é realizado, e plantas modernas recirculam a água para diminuir o consumo.

A secagem é uma etapa crucial, pois a temperatura afeta as propriedades finais da fibra, exigindo controle de processo para garantir a qualidade do material.

Papel e embalagens como alternativa

A fibra de banana também é utilizada na produção de papel e celulose. Um estudo apoiado pela Embrapa testou a fibra misturada com goma arábica para criar bandejas de frutas. Os resultados mostraram que as placas tiveram resistência à tração superior (2,7 e 3,1 MPa) em comparação com o controle de polpa de papel reciclado (2,5 MPa), embora tenham apresentado maior absorção de água.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Para a viabilidade financeira e ambiental do processo, é fundamental que subprodutos como polpa e seiva sejam aproveitados, transformando-se em composto, biogás ou fertilizante líquido. A fibra do pseudo-caule permite que a indústria têxtil, de papel e de embalagens substitua insumos fósseis por um resíduo já existente em grande volume. O estudo foi publicado na revista “Packaging Technology and Science”.

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay