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A acústica da neve: como cristais de gelo transformam o som e criam a ilusão de silêncio absoluto

A discussão sobre alternativas ao plástico ganhou força nos últimos anos, e um dos materiais que mais chama a atenção na comunidade científica é o micélio, a rede de filamentos que forma a estrutura subterrânea dos fungos.

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A discussão sobre alternativas ao plástico ganhou força nos últimos anos, e um dos materiais que mais chama a atenção na comunidade científica é o micélio, a rede de filamentos que forma a estrutura subterrânea dos fungos. Esse plástico dos fungos entrou no radar da indústria de embalagens como uma solução de baixo impacto ambiental. Ele aproveita resíduos agrícolas e se apresenta como totalmente biodegradável. Pesquisas em bioengenharia e design de materiais mostram que, ao crescer sobre restos de culturas como milho, trigo ou arroz, o micélio forma um material compacto, leve e moldável. Desse modo, o resultado exibe propriedades que lembram o isopor e determinados tipos de plástico.

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Laboratórios e startups em diferentes países demonstram que esse biomaterial pode substituir proteções de espuma, bandejas, blocos de encaixe e outros componentes. Esses itens aparecem, por exemplo, no transporte de eletrônicos, móveis e até alimentos. O diferencial está no ciclo de vida. O micélio cresce em ambiente controlado e os técnicos o colhem quando ele atinge o formato desejado. Ao final do uso, as empresas ou consumidores podem devolver o material ao solo. Assim, ele se decompõe em poucos dias ou semanas, em vez de permanecer por décadas em aterros ou oceanos. Esse processo interessa a empresas preocupadas com a imagem ambiental e também a setores que lidam com grandes volumes de embalagens descartáveis.

Micélio, o plástico dos fungos: o que é e como funciona?

A palavra-chave micélio descreve a rede de hifas, finos filamentos que os fungos utilizam para explorar o ambiente e decompor matéria orgânica. No contexto de materiais alternativos ao plástico, engenheiros e biólogos aproveitam justamente essa capacidade natural de colar partículas de resíduos vegetais. Em primeiro lugar, o processo começa com a mistura de substratos agrícolas palha, casca de grãos, serragem fina e outros restos com esporos ou fragmentos de fungos selecionados. Em poucos dias, o micélio se espalha como um tecido branco, preenche os espaços e une tudo em um bloco sólido.

Quando o crescimento atinge o nível desejado, os produtores retiram o material da forma e aplicam um tratamento térmico que interrompe a atividade biológica. Como consequência, o processo estabiliza o produto. O resultado consiste em um composto leve, com estrutura semelhante a uma esponja rígida, que o usuário pode serrar, furar ou prensar, assim como o poliestireno expandido, conhecido popularmente como isopor. Por ser um biomaterial vivo em sua fase de crescimento, ele se adapta a diversos desenhos e densidades. Dessa forma, os desenvolvedores conseguem criar desde embalagens protetoras até placas estruturais de baixa carga. Além disso, novas pesquisas já investigam o uso em elementos arquitetônicos mais complexos.

gelo_depositphotos.com / FotoHelin

Como o micélio se torna uma alternativa ao plástico e ao isopor?

Os materiais de micélio reúnem características que interessam especialmente à indústria de embalagens. Estudos publicados na última década indicam que blocos cultivados a partir de certos fungos apresentam isolamento térmico comparável ao do isopor. Além disso, esses blocos exibem desempenho razoável como barreira acústica e boa resistência à compressão. Essa resistência se mostra fundamental para proteger produtos durante o transporte. Adicionalmente, alguns arranjos conseguem retardar a propagação de chamas. Assim, o material pode atuar como elemento resistente ao fogo em situações específicas, sem exigir aditivos químicos halogenados, comuns em plásticos convencionais.

Na prática, os produtores cultivam o micélio diretamente em moldes, e ele assume o formato de cantoneiras, bandejas, blocos de proteção ou invólucros sob medida para determinados produtos. Após o uso, as pessoas podem fragmentar essas peças e misturá-las ao solo ou ao composto orgânico doméstico. Ao contrário do plástico, que se fragmenta em microplásticos persistentes, o material à base de fungos se degrada naturalmente por microrganismos e retorna ao ciclo de nutrientes. Esse comportamento atende a uma demanda crescente por embalagens compostáveis e alinhadas a políticas de economia circular. Além disso, algumas cidades já estudam integrar esse tipo de resíduo em programas públicos de compostagem urbana.

Como é o ciclo de produção de embalagens de micélio?

O ciclo de produção do micélio como biomaterial se baseia em algumas etapas relativamente simples, com baixo consumo energético em comparação com a fabricação de plásticos derivados de petróleo. Em síntese, o processo ocorre em passos principais:

  1. Coleta de resíduos agrícolas: equipes selecionam sobras de colheitas, cascas e fibras vegetais e realizam a higienização adequada.
  2. Preparação do substrato: técnicos trituram o material, ajustam a umidade e colocam tudo em condições adequadas de esterilização ou pasteurização.
  3. Inoculação com micélio: os operadores misturam o fungo escolhido ao substrato e o distribuem em bandejas ou moldes específicos.
  4. Incubação: o conjunto permanece em ambiente controlado de temperatura e umidade, permitindo que o micélio costure as partículas e consolide o bloco.
  5. Secagem e estabilização: após o crescimento, as equipes aquecem as peças para interromper a atividade biológica e reduzir a umidade interna.

Esse modelo produtivo elimina a necessidade de extrair petróleo e de operar fornos em temperaturas extremas, comuns na petroquímica e na fabricação de plásticos. A energia entra principalmente no controle do ambiente de crescimento e na secagem do produto final. Além disso, a matéria-prima se baseia em resíduos que, em muitos casos, seguiriam para queima ou descarte e gerariam emissões de gases de efeito estufa. Assim, o micélio reforça uma lógica de aproveitamento integral da biomassa. Em paralelo, alguns projetos-piloto já avaliam a integração dessa cadeia com cooperativas rurais, o que pode gerar renda adicional para pequenos produtores.

O que são biomateriais vivos e por que isso importa para o futuro das embalagens?

O conceito de biomateriais vivos descreve materiais que utilizam processos biológicos em alguma etapa de sua formação, em vez de depender apenas de sínteses químicas convencionais. No caso do micélio, o próprio fungo atua como o engenheiro que organiza o material. Em vez de derreter polímeros em extrusoras e moldes, a indústria passa a orientar o crescimento de um organismo para que ele construa o produto a partir de dentro. Essa abordagem aproxima a fabricação industrial da forma como ecossistemas naturais funcionam, em que seres vivos reconfiguram a matéria de maneira constante.

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Pesquisadores de design, arquitetura e engenharia de materiais veem nesse campo uma oportunidade de reimaginar não apenas a embalagem final, mas também todo o sistema de produção. Projeções recentes consideram aplicações que vão além de proteções para transporte, como painéis acústicos, elementos de mobiliário e estruturas temporárias para eventos. Em alguns casos, arquitetos já testam módulos de construção baseados em micélio para pavilhões experimentais. Para a gestão da crise global de resíduos, o micélio representa uma rota em que o descarte deixa de representar um problema permanente e passa a integrar um ciclo rápido de retorno ao solo. A evolução dessa biotecnologia depende de escala industrial, normatização e análise econômica detalhada, mas indica uma transição relevante. Nessa transição, os fungos deixam o papel de simples decompositores e se tornam aliados centrais na construção de novos materiais e modelos de negócio circulares.

gelo_depositphotos.com / evgovorov

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