O neuroendocrinologista Robert Lustig afirma que a clássica ideia de contar calorias não reflete a complexidade do metabolismo humano. Formado em bioquímica nutricional no MIT e com vasta prática médica, ele relata que atendeu pacientes durante 20 anos acreditando nessa tese, sem observar melhorias na saúde deles.

Açúcar, glicose, frutose e proteínas fornecem as mesmas 4 calorias por grama. Cada substância, contudo, passa por vias metabólicas distintas no corpo, gerando respostas orgânicas particulares. Entre esses componentes, o especialista classifica a frutose adicionada como o elemento mais prejudicial à saúde.

Leia Mais

Os impactos da frutose no organismo

A frutose segue um caminho metabólico idêntico ao do álcool e se direciona diretamente ao fígado, diferentemente da glicose, que se converte em glicogênio e alcança os músculos. Presente em cereais matinais, essa molécula provoca disfunção mitocondrial por meio da reação de Maillard.

O composto também afeta a microbiota intestinal, alterando a diversidade das bactérias. Na avaliação compartilhada no programa "Decoded Genius", a substância apresenta alto poder viciante ao acionar os centros de recompensa no cérebro com liberação de dopamina: o mesmo mecanismo verificado no consumo de álcool, tabaco e drogas.

Esse dano decorre do uso de açúcares adicionados pelas indústrias em alimentos processados e ultraprocessados. A frutose encontrada em fontes naturais, como frutas, verduras, tubérculos e cereais, não produz essas complicações.

A indústria alimentícia e o metabolismo

O avanço da obesidade, que subiu de 5% em 1970 para 45% nos índices atuais, desafia a narrativa de culpabilização individual. Para Lustig, o lema de comer menos e se exercitar mais transfere a responsabilidade para a vítima, ignorando que a bioquímica corporal determina as ações humanas.

Um estudo conduzido pelo médico comprovou essa relação ao diminuir a liberação de insulina provocada pela glicose e pela frutose com o uso de medicamento. Os pacientes avaliados perderam peso, elevaram a atividade física e reduziram a ingestão calórica diária.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Com a diminuição da insulina, a ingestão de calorias provenientes de carboidratos caiu de 47% para 35%. A intervenção provocou uma modificação nas preferências gustativas dos participantes, demonstrando que o controle hormonal altera diretamente os hábitos de consumo alimentar.


compartilhe