DESCOBERTA

Uma proteína envolvida na formação dos dentes entra no radar de pesquisadores e pode abrir um novo caminho para o futuro dos tratamentos de reparação dentária

Pesquisadores investigam o uso de molécula natural para recuperar a dentina; novo método promete tratamentos que mantêm dentes vivos e fortes

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Uma proteína responsável pela formação dos dentes pode permitir a autorregeneração de estruturas dentárias danificadas. A pesquisa é conduzida por Anne George, professora no Departamento de Biologia Oral da Faculdade de Odontologia da UIC, que recebeu uma bolsa de 1,2 milhão de dólares do Instituto Nacional de Pesquisa Dental e Craniofacial dos Institutos Nacionais de Saúde para aprofundar estudos sobre a fosfoforina da dentina.

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A fosfoforina da dentina atua principalmente na dentina, tecido mineralizado situado sob o esmalte. Reconhecida como a proteína mais ácida da natureza, a molécula participa da calcificação da matriz proteica. O estudo investiga como ela protege odontoblastos e células-tronco da polpa dentária adulta no ambiente rico em cálcio, mantendo a capacidade regenerativa ao longo da vida do dente.

O papel da autofagia na proteção celular

O projeto analisa a atuação da fosfoforina da dentina na autofagia, processo celular de defesa. Segundo George, o mecanismo funciona como uma coleta de lixo: remove partes velhas ou danificadas da célula e recicla seus componentes.

Na polpa dentária, centro vivo e macio do dente, a autofagia exerce função protetora durante inflamações e lesões. Embora o cálcio seja essencial para a estrutura de dentes e ossos, o mineral gera estresse severo nas células. A equipe indica que a fosfoforina auxilia as células-tronco a gerenciar essa condição, sobreviver e desenvolver as unidades que produzem a dentina.

Nova abordagem para tratamentos dentários

Os procedimentos tradicionais contra cáries focam em perfurar o local afetado, retirar células da polpa e cobrir a área com restauração sintética, o que remove a vitalidade dental. A pesquisa propõe utilizar proteínas em uma estrutura aplicada na cavidade para induzir o crescimento da dentina, criando uma matriz viva capaz de frear a lesão e reter a função do dente.

Os cientistas combinam testes com células-tronco da polpa humana e modelos animais para detalhar as vias moleculares que regulam a autofagia e a restauração dos tecidos. O estudo amplia descobertas de George sobre biomineralização, incluindo a proteína da matriz da dentina 1, que atua na cristalização de fosfato de cálcio e estimula novos vasos sanguíneos.

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De acordo com George, essas substâncias operam tanto de modo estrutural quanto na função de moléculas de sinalização: comunicam-se com células vizinhas, ativam fatores de transcrição e transferem material. As investigações têm apoio contínuo dos Institutos Nacionais de Saúde e somam cerca de três décadas de atuação da cientista na Faculdade de Odontologia da UIC, iniciada em 1998.


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