A pedra na vesícula é uma das doenças digestivas mais comuns e, ao mesmo tempo, uma das mais negligenciadas. Muitas pessoas convivem durante anos com cálculos biliares sem apresentar qualquer sintoma. O problema é que, quando eles começam a obstruir a saída da bile, podem desencadear crises de dor intensa, inflamação e até complicações que exigem cirurgia de urgência.
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"Nem toda pedra provoca sintomas, mas quando ocorre a obstrução dos canais da vesícula, o paciente pode apresentar um quadro bastante doloroso e que necessita de avaliação médica imediata", explica Ernesto Alarcon, cirurgião geral especialista em videolaparoscopia.
Embora muitas pessoas descubram a doença em exames de rotina, alguns sinais não devem ser ignorados. Os mais frequentes são:
- Dor intensa no lado direito do abdômen;
- Dor que pode irradiar para as costas, ombro direito ou peito;
- Náuseas e vômitos;
- Sensação de estômago pesado após refeições gordurosas;
- Inchaço abdominal e excesso de gases;
- Febre, calafrios e pele ou olhos amarelados (icterícia), nos casos mais graves.
"É comum que a dor apareça após refeições ricas em gordura e dure várias horas. Quando vem acompanhada de febre ou icterícia, pode indicar uma complicação que exige atendimento imediato", alerta o especialista.
Embora não exista uma única causa, diversos fatores aumentam o risco de desenvolver cálculos biliares. Entre eles estão:
- Excesso de colesterol na bile;
- Alterações no funcionamento da vesícula;
- Predisposição genética;
- Obesidade;
- Diabetes;
- Gravidez;
- Uso de anticoncepcionais hormonais;
- Idade acima dos 40 anos;
- Doenças do fígado e algumas alterações hematológicas.
Mulheres apresentam maior incidência da doença, principalmente após os 40 anos.
Sempre é preciso operar?
Nem todos os pacientes precisam de cirurgia imediatamente. Quando os cálculos são assintomáticos, o tratamento pode variar conforme cada caso. Entretanto, após o aparecimento das crises de dor ou quando surgem complicações, a retirada da vesícula (colecistectomia) costuma ser o tratamento mais indicado.
Hoje, na maioria dos casos, o procedimento é realizado por videolaparoscopia, técnica minimamente invasiva que proporciona menos dor no pós-operatório, menor tempo de internação e recuperação mais rápida.
"A cirurgia é atualmente o tratamento mais eficaz para evitar novas crises e impedir complicações como inflamação da vesícula, pancreatite e infecções das vias biliares", explica Alarcon.
É possível prevenir?
Embora nem todos os casos possam ser evitados, alguns hábitos reduzem significativamente o risco de desenvolver pedras na vesícula. Entre eles:
- Manter uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes e fibras;
- Reduzir o consumo de frituras, alimentos ultraprocessados e gorduras saturadas;
- Manter o peso adequado;
- Praticar atividade física regularmente;
- Evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool;
- Realizar acompanhamento médico quando houver fatores de risco.
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"O diagnóstico precoce permite acompanhar a evolução da doença e indicar o tratamento no momento mais adequado. Quanto antes o problema for identificado, menores são as chances de complicações", explica Alarcon.
